Vice-reitor universitário denuncia: “Impostos dos portugueses estão a pagar a educação dos outros”

O vice-reitor dá conta de que há cada vez menos estudantes portugueses nas universidades, pelo que grande parte do progresso que pode ser feito neste setor passa pela captação de alunos estrangeiros, que ficou facilitada com a entrada em vigor de uma nova legislação em 2014.

Universidade Aveiro

O vice-reitor da Universidade de Coimbra, Joaquim Ramos de Carvalho, defende que as propinas cobradas em várias universidades públicas em Portugal aos alunos não correspondem ao custo real da formação como prevê a lei e estão a servir para pagar “a educação dos outros”. Joaquim Ramos de Carvalho sugere ao Governo que passe a olhar o setor universitário como um setor de exportação com “alta capacidade de atração e geração de valor no exterior”.

Em entrevista à rádio TSF, o vice-reitor dá conta de que há cada vez menos estudantes portugueses nas universidades, pelo que grande parte do progresso que pode ser feito neste setor passa pela captação de alunos estrangeiros, que ficou facilitada com a entrada em vigor de uma nova legislação em 2014. O valor de propinas para estudantes estrangeiros ronda em Coimbra os 7 mil euros, quando para um português o valor é pouco superior a mil euros.

A situação não é caso único. Em Portugal, a média de preços cobrada a estudantes de outros países varia entre os 3 mil e os 7 mil euros, tendo previstos em algumas universidades descontos para estudantes de países de língua portuguesa.

Joaquim Ramos de Carvalho não tem dúvidas de que a legislação não está a ser cumprida e que os “impostos dos portugueses estão a pagar a educação dos outros”. “Não podemos pensar que mais dois ou três estrangeiros numa turma não fazem grande diferença mesmo que a turma já exista, pelo que devem pagar o custo real”, afirma, sublinhando que estes não podem ser um custo adicional para as universidades.

“O Governo tem de assumir o ensino superior português como um setor de exportação: Não é só o calçado, vinhos ou turismo. Nós no ensino superior também temos uma indústria ou setor de alta capacidade de atração e geração de valor no exterior”, salienta Joaquim Ramos de Carvalho.

 



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