Tendências: para onde caminha a formação executiva?

Arquitetos de programas de formação e responsáveis de escolas de negócios e universidades traçam perspetivas de evolução do setor. O outlook do mercado português em discurso direto.

Reuters

Os programas voltados para a dimensão digital têm tido uma procura crescente nos últimos anos. Esta tendência que se consolida na Católica-Lisbon, líder da formação executiva em Portugal, conforme revela ao Jornal Económico o seu diretor, Luís Cardoso, está a alastrar.

Paula Morais, vice-Reitora da Universidade Portucalense concorda, embora – “não sei se falaria em tendência, mas em necessidade de formação dos gestores em tecnologias de informação”. E justifica a acuidade: “O ataque informático que estes últimos dias atingiu empresas e organizações a nível global, alerta para a necessidade de preparar os responsáveis das empresas para responder aos desafios que o mundo cada vez mais digital coloca”.

Na escola de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa, ISEG, a responsável programas de formação executiva, Jessica Carvalho Cunha explica que o setor caminha para uma maior flexibilidade. Em termos gerais, aponta “a customização em função do perfil dos participantes e das organizações” em termos de conteúdos, formato e aplicação da formação, será a grande tendência para a formação executiva nos próximos anos.

Na perspetiva de Ana Côrte-Real, associate dean da Católica Porto Business School, a formação executiva partilha do desafio comum que passa pela busca da diferenciação. “Uma diferenciação relevante para todos os seus stakeholders”. Descodificando: o desafio passa pela formação de empreendedores com consciência cívica e respeito pelo indivíduo e pelas comunidades.
Na visão de Pedro Torres, da Faculdade de Economia, da Universidade de Coimbra, o desenvolvimento da inteligência emcoional e da criatividade estarão cada vez mais presentes nos programas.

Ao nível da forma, as principais tendências antecipam o aumento de cursos intensivos, de curta duração, disponibilizados online.

Ana Côrte-Real
Associate Dean da Católica Porto Business School

DIFERENCIAÇÃO

A Formação Executiva partilha do desafio comum que passa pela busca da diferenciação. Uma diferenciação relevante para todos os seus stakeholders. No ambiente disruptivo em que vivemos o desafio passa pela formação de empreendedores com consciência cívica e respeito pelo indivíduo e pelas comunidades, relacionando-os de perto com os territórios e os modelos económicos, para que promovam as melhores soluções de crescimento e sustentabilidade, servindo individualmente de agentes funcionais da competitividade empresarial coletiva. Neste sentido, a diferenciação que se pretende advém da habitual qualidade dos programas, dos seus promotores, professores e monitores, mas também de um leque alargado de atividades complementares que darão aos formandos experiências enriquecedoras. E para que esta diferenciação se materialize será absolutamente crítica a abertura das escolas para a cooperação e partilha de experiências.

Se a disrupção, sobretudo em termos sociais, é hoje um problema à escala global, o desafio da formação executiva, e o que concretamente, a Católica Porto Business School pretende fazer para contrariar essa tendência é uma aposta na formação de gestores profissionais, capazes de criar valor e sustentabilidade no mundo dos negócios, não só através da sua competência técnica e conhecimento, mas também com consciência social e cívica.
Acreditamos numa formação executiva que ofereça o conhecimento mais atual em cada área científica, que partilhe a mais recente pesquisa aplicada e que ilustre os conteúdos com as melhores práticas; reconhecemos que na formação executiva a aprendizagem não é suficiente, o relevante é o regresso à empresa e a capacidade do participante produzir impacto na organização; a formação executiva de qualidade tem que permitir este impacto e simultaneamente minimizar o tempo que o participante tem de estar fora da empresa; a formação executiva deve promover a cada participante a possibilidade de conhecer melhor a sua empresa levando-o a questionar os seus paradigmas de gestão, conduzindo-o a que seja capaz de criativamente implementar a sua mudança.

Por isso, na Católica Porto Business School pretendemos que os nossos futuros formados estejam nos negócios como na vida: com criatividade, verticalidade, ética e humanidade.

Que se tornem empreendedores com consciência cívica e respeito pelo indivíduo e pelas comunidades, relacionando-se de perto com os territórios e os modelos económicos, que promovam as melhores soluções para o crescimento e sustentabilidade, servindo individualmente de agentes funcionais da competitividade empresarial coletiva. O nosso portfólio será efetivamente distinto por esta abordagem transversal do gestor, e capitalizando em todas as parcerias que a nossa escola tem.

A importância da nossa oferta reside no facto da Católica Porto Business School pensar na sua oferta em termos de fases de carreira, e não em termos de áreas científicas. Não temos, só, uma oferta de marketing, de finanças, de capital humano… temos uma oferta que permite que os nossos formandos adequem a sua escolha à fase da sua carreira: precisa de conhecimento técnico específico, ainda não gere equipas? Ou busca competências na área das pessoas dadas as necessidades de gerir equipas, para além dos conhecimentos técnicos? Ou na verdade procura um conhecimento concreto de um negócio? Porque o “know-how”, o “know-people” e o “know-business” obrigam ao (re)conhecimento sustentado de valores e competências, o que é raras vezes posto em prática em cursos de formação executiva. Oferecemos um exigente e selecionado programa de formação nesses níveis, o que consideramos uma experiência diferenciadora e distintiva, e acima de tudo adequada à gestão de carreira.

Jessica Carvalho Cunha  
Executive Education Programmes Manager – ISEG

Flexibilidade é palavra chave

A formação executiva caminha para uma maior flexibilidade, capacidade de adaptação e resposta às mudanças cada vez mais frequentes no mundo de hoje. É, cada vez mais, vista como um investimento criterioso e seletivo com o objetivo de gerar resultados a nível do desempenho pessoal e organizacional dos que a procuram. Atualmente, exige e continuará a exigir, uma atenção crescente à inovação no que diz respeito aos seus conteúdos e à forma como esta é transmitida.

Há cada vez maior número de instituições a procurarem soluções adaptadas às suas reais necessidades tanto a nível nacional como internacional. O que resulta no que diz respeito aos conteúdos, numa tendência de desenvolvimento da formação executiva para nichos de funções, de sectores e de áreas de atividade.  Por outro lado,  as empresas e os participantes querem conteúdos teóricos cada vez mais curtos e focados,  complementados com uma abordagem prática e informal que permita a transposição e aplicação imediata dos conhecimentos ao seu dia-a-dia, assistindo-se assim à tendência de valorização de ferramentas de simulação, estratégias de gamification e challenge que aproximem os participantes o mais possível do contexto e desafios reais, de formação à distância (o e-learning),  bem como o desenvolvimento de skills pessoais através do feedback construtivo e do coaching.

Em termos gerais, a customização em função do perfil dos participantes e das organização, será  em termos de conteúdos, formato e aplicação da formação, a grande tendência para a formação executiva nos próximos anos.

No ISEG, estamos despertos para estas tendências. A formação, consultoria à medida são há vários anos uma realidade na escola. No que diz respeito aos programas interempresas,  para além das áreas generalistas como Gestão e Economia, desde sempre optámos por cobrir as vertentes, por setor de atividade (Farmacêutica, Banca, Seguros…) ou por áreas funcionais (Finanças, Marketing, Recursos Humanos, Sistemas de Informação). Temos também apostado em programas de natureza setorial mais específicos, como por exemplo: administração de organizações religiosas, luxo, agribusiness, wine business, na aplicação das novas tecnologias às empresas (Marketing Digital, Sistemas de Informação, Social Media Management) e no desenvolvimento de competências pessoais.”

Paula Marques
Diretora executiva da área de Executive Education da Porto Business School

Programas curtos e intensivos

A massificação da customização à individualidade de cada um é uma tendência de consumo que também se aplica à formação executiva. Cada vez menos aceitamos consumir produtos standard seja na alimentação, vestuário, calçado, nas viagens… Gostamos da ideia de que alguém nos forneça um produto/serviço únicos, porque nós também somos seres únicos.
Num mundo cada vez mais rápido, onde o conhecimento rapidamente se torna obsoleto, a aprendizagem ao longo da vida será essencial. Serão valorizados, cada vez mais, programas curtos e intensivos, experiências de partilha e discussão, metodologias baseadas nas neurociências – que permitam a aprendizagem de forma divertida, através de experimentação, trabalhando com os sentidos, que provoquem desconforto e nos obriguem a questionar (por oposição a sessões mais expositivas, onde só vamos para ouvir),… A própria avaliação de conhecimentos também vai mudar. Sistemas de pre-assessment e acompanhamento do desenvolvimento de competências específicas ao longo do tempo, por oposição aos exames tradicionais, que apenas avaliam a nossa capacidade de memorizar, serão cada vez mais comuns.

Na Porto Business School estamos cada vez mais a focar-nos neste futuro. Os nossos programas promovem experiências, dentro e fora da sala de aula, viabilizando o desenvolvimento de um pensamento sistémico, estratégico e inovador e competências interpessoais, de comunicação eficaz e de trabalho em equipa, skills essenciais para quem precisa estar preparado para enfrentar os cenários que aí vêm… sejam eles quais forem…

Pedro Torres
Conselho Consultivo do MBA Executivos, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

DIGITAL E CRIATIVIDADE

A evolução tecnológica e digital tem tido e vai continuar a ter um significativo impacto na formação para executivos. Os cursos de curta duração disponibilizados online serão ainda mais frequentes e os programas irão incluir novas unidades curriculares, tais como o marketing digital e a análise de big data. Na minha opinião, o desenvolvimento da inteligência emocional e da criatividade também estarão cada vez mais presentes nos programas de formação para executivos.

Miguel Varela
Diretor ISG  Business & Economics School

Formatos intensivos e curtos

Na área das ciências económicas e empresariais, a formação de executivos assenta cada vez mais no desenvolver de competências concretas. Devido ao perfil dos profissionais que frequentam estas formações, a tendência atual é de serem formatos de curta duração em regime intensivo. O ISG tem programas de executivos com a duração de 20 a 25 horas em cinco dias, em regime pós-laboral. Atualmente também existem muitas empresas que desejam que a formação seja ministrada em horário laboral nas suas próprias instalações. Neste campo, as áreas que têm registado mais procura são as finanças, a gestão de projetos, a logística e a gestão geral.



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