Subida dos pagamentos em atraso trava redução que ocorria desde 2011, diz UTAO

Entre 2011 e 2016, segundo os especialistas da UTAO, assistiu-se a uma "redução significativa" no nível de pagamentos em atraso das administrações públicas, de 4.724 milhões de euros para 854 milhões de euros, correspondendo este valor a 18,1% do valor em dívida observado no início do período.

O aumento do total de pagamentos em atraso em 2017 interrompeu a redução da dívida a fornecedores que vinha a ser feita desde 2011 e que em cinco anos diminuiu cerca de 4 mil milhões de euros, afirma hoje a UTAO.

Na nota sobre a execução orçamental do conjunto do ano passado, a que a agência Lusa teve hoje acesso, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) afirma que “o ‘stock’ de pagamentos em atraso registou um aumento em 2017, invertendo uma tendência decrescente desde 2011”.

Entre 2011 e 2016, segundo os especialistas da UTAO, assistiu-se a uma “redução significativa” no nível de pagamentos em atraso das administrações públicas, de 4.724 milhões de euros para 854 milhões de euros, correspondendo este valor a 18,1% do valor em dívida observado no início do período.

Olhando para a execução orçamental de janeiro a dezembro divulgada pela Direção-geral do Orçamento (DGO), os técnicos afirmam que se “assistiu a uma inversão desta tendência”, sendo que o ‘stock’ da dívida a fornecedores aumentou para 1.075 milhões de euros no final do ano passado, correspondendo a um acréscimo de 221 milhões de euros (25,9%) face a 2016.

Esta subida deveu-se sobretudo aos hospitais EPE, onde os pagamentos em atraso cresceram 293 milhões de euros, um aumento que foi “parcialmente atenuado” pela redução desta dívida na administração local (menos 47 milhões de euros) e na administração regional (menos 21 milhões de euros).

Na nota de hoje, a UTAO faz ainda uma primeira aproximação à ótica da contabilidade nacional para estimar que o défice orçamental tenha ficado em 2.481 milhões de euros no ano passado, sem medidas extraordinárias, uma melhoria de 1.766 milhões face a 2016.

Nesta ótica, que é a dos compromissos e que é usada para aferir o cumprimento das regras europeias, os técnicos estimam “um saldo melhor do que o previsto [no Orçamento do Estado para 2018] em cerca de 1.000 milhões de euros”.

Embora a UTAO não apresente ainda uma estimativa para o défice em percentagem do PIB – até porque O Instituto Nacional de Estatística (INE) só divulga a sua estimativa rápida sobre a evolução da economia portuguesa para a semana -, em janeiro já tinha dito que esse valor ficaria abaixo de 1,4% do PIB, correspondendo à meta definida pelo Governo no OE2018.

Só no final do mês é que os técnicos vão apresentar a estimativa para o défice em contabilidade nacional em percentagem do PIB, já com acesso a mais informação.




Mais notícias