ROI e Impacto na Sociedade

Inicialmente, as empresas ganharam consciência da sua responsabilidade social como forma de se alinharem com as agendas das suas partes interessadas.

Será possível ter simultaneamente um bom retorno sobre o investimento e impacto social mensurável?

Esta é a promessa da confluência de fatores nas últimas décadas que contribuiu para a crescente notoriedade do impact investing, investimento com objetivo acrescido de provocar bem social.

Inicialmente, as empresas ganharam consciência da sua responsabilidade social como forma de se alinharem com as agendas das suas partes interessadas, desde os consumidores, preocupados com o ambiente, com os direitos humanos e com outras crises sociais, até aos acionistas, conscientes do risco de desvalorização por incidentes ambientais e sociais, passando pelos colaboradores, que buscaram na sua organização um propósito para lá dos objetivos comerciais.

Mais recentemente, o mercado passou de ver esta perspetiva de investimento como limitada a alguns fundos filantrópicos e organizações não-governamentais ou instituições de natureza pública, para uma classe de ativos e de capital per si, com capacidade de combinar o impacto social real com um retorno financeiro equiparável ou superior ao do mercado.

Atualmente, a Global Impact Investor Network estima que já tenham sido diretamente atribuídos mais de 20 biliões de euros a este tipo de investimentos por firmas de private equity, a que acresce um valor muito superior dirigido através de mandatos semelhantes a investimentos em infraestruturas, dívida, seed capital, etc. Outras firmas, embora não se considerem investidores de impacto, obrigam-se a princípios ambientais, sociais e de governo que se traduzem num duplo mandato de retorno e impacto. Os fundos de pensões e outros investidores institucionais acompanham esta tendência.

Estes acionistas reconhecem que a responsabilidade social pode ser um estímulo ao pensamento de médio/longo prazo que as equipas de gestão devem equilibrar com o imediatismo do mercado, bem como à identificação antecipada de tendências estruturais de consumo, como temos visto na alimentação saudável e nos produtos de origem orgânica, um exemplo entre muitos outros.

Compreensivelmente, esta tendência levar-nos-á a um crescente escrutínio sobre as medidas e a própria definição de impacto social, o que obrigará a preocupações de medição e reporte muito consideráveis. Quando comparado com as medidas tradicionais de retorno sobre o investimento e sustentabilidade financeira, trata-se de um problema nada trivial, mas que certamente conduzirá a uma discussão profunda e muito elucidativa sobre o que realmente consideramos que importa na vida.




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