Respostas rápidas: Como é que Portugal conseguiu o maior crescimento em 17 anos?

Portugal assistiu a um crescimento económico de 2,7% em 2017, o mais rápido desde 2000, segundo a estimativa rápida publicada esta quarta-feira pelo INE. A chave esteve no disparo do investimento.

O que é impulsionou o PIB?

A economia portuguesa cresceu 2,7% em 2017, mais do que os 1,4% de 2016 e até que as projeções do Governo (2,6%). Desde 2000 que o produto interno bruto (PIB) não crescia a um ritmo tão rápido. A estimativa rápida foi publicada esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e será confirmada no dia 28 de fevereiro. Apenas nessa altura será possível perceber os contributos dos diferentes componentes do PIB.

Apesar disso, o INE explicou já que “a evolução resultou do aumento do contributo da procura interna”, ou seja, consumo privado, consumo público e investimento. Segundo o gabinete de estatísticas nacional, o principal impulsionador foi “a aceleração do investimento, uma vez que a procura externa líquida apresentou um contributo idêntico ao registado em 2016”.

Como é que a procura interna contribuiu para o crescimento económico?

Apesar de os números finais ainda não serem conhecidos, a estimativa do Banco de Portugal (atualizada em dezembro) é a procura interna tenha subido para 2,7% em 2017, em comparação com os 1,6% de 2016. O dado-chave é o do investimento, que terá aumentado 8,3% no ano passado, face a 1,6% em 2016, enquanto o consumo privado terá aumentado para 2,2% (de 2,1%) e o consumo público terá recuado para 0,1% (de 0,6%).

Tal como o vice-presidente e analista sénior de dívida soberana da agência de rating Moody’s, Evan Wohlmann, tinha explicado em entrevista ao Jornal Económico, o investimento era a peça que faltava no puzzle da recuperação económica de Portugal. O aumento do investimento é explicado pelo aumento da confiança do agentes económicos e condições de financiamento mais favoráveis, mas também por efeitos de base, já que 2016 tinha sido um ano muito fraco.

Como é que o Governo viu os dados do PIB?

Depois da divulgação dos números, o ministério das Finanças sublinhou que o crescimento económico português é socialmente mais abrangente, devido à expansão do mercado de trabalho, bem como mais equilibrado no que diz respeito às contas públicas e externas. “Este crescimento económico está ligeiramente acima do previsto pelo Governo no Orçamento do Estado de 2018, corroborando a solidez dos cenários macroeconómicos subjacentes às projeções orçamentais”, afirmou.

“O crescimento robusto do PIB acompanha uma evolução sólida do mercado de trabalho. Com mais 161 mil empregos e menos 121 mil desempregados do que em 2016, a taxa de desemprego caiu para os 8,1%. O Governo destaca que este crescimento económico é socialmente mais equitativo, assente na criação de emprego e numa gestão criteriosa das contas públicas”, acrescentou o ministério liderado por Mário Centeno.

Qual foi a reação dos partidos?

Os partidos saudaram a expansão do PIB, mas não deixaram de mandar algumas ‘alfinetadas’ no Governo. À esquerda, a deputada do BE, Mariana Mortágua, disse que os “dados são, sem dúvida, uma prova de que a direita estava errada, mas devem também ser um alerta para o Governo, que tem de ir mais longe nas políticas de devolução de rendimentos e de proteção do trabalho, dos direitos laborais, porque já se provou que dá resultado e que os resultados são bons”.

Já ao centro, o social-democrata Luís Montenegro defendeu, em entrevista à TSF, que “é importante não entrar em euforias desmesuradas”, porque “estamos muito aquém do crescimento de que precisamos”. A líder do CDS, Assunção Cristas, passou o crédito para as empresas, dizendo que os números “extraordinariamente bons” da economia “estão associados ao grande trabalho de muitas empresas” com negócios nacionais ou exportadoras.

Este ano, Portugal vai igualar o crescimento?

O consenso entre o Governo e as instituições nacionais e internacionais é que 2018 seja um ano de desaceleração. O Executivo aponta para um crescimento de 2,2%, que continue acima da média dos países da zona euro. O mesmo valor é esperado pela Comissão Europeia, enquanto o Banco de Portugal projeta um crescimento de 2,3% e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2%.

No Orçamento do Estado para 2018, o Governo dizia esperar este ano uma “continuação de um forte crescimento da procura externa (de bens) relevante para Portugal, em torno de 4%, ainda que em desaceleração”, explicada por um abrandamento da economia dos principais parceiros comerciais, com destaque para a Espanha, Alemanha, Reino Unido, EUA e Angola, com impacto nas importações.






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