Renegade. Um puro da terra e do gelo

Falar de SUV suficientemente “democráticos” em preço e com capacidade para criar o desejo de experimentar na terra ou no gelo, há poucos. O Renegade, da Jeep, é uma exceção.

O nome lembra-nos sempre as contingências militares da II Guerra Mundial, e depois os conflitos que se seguiram, mas a marca evoluiu muito e passou de um ícone idolatrado nos filmes épicos para as estradas da Europa e dos EUA onde com modelos mais softs, mais aligeirados às necessidades do cidadão comum, tem feiro as delícias de quem quer experimentar um pouco “off-road”. E foi, aliás, o que fizemos numa experiência promovida pela Europcar para potenciar a oferta dos Renegades.

Mais do que verificar a sua capacidade na cidade, a melhor experiência é na terra, melhor, nas areias de uma qualquer praia que nos dias de hoje estão desertas. O Renegade está disponível em 4×2 mas também em 4×4. Tem um sistema que permite a desconexão do eixo traseiro e permite com facilidade experimentar as duas ou as quatro rodas motrizes. Para uma condução em terra e em vales clivosos é básico a ativação de um outro sistema, o Active Drive Low, que permite a transposição de um declive difícil com segurança.

O Renegade apareceu há três anos e tem vindo a evoluir. A plataforma de base é a do Fiat 500 X (alguns especialistas dizem ser o melhor Fiat de sempre) e é um dos mais pequenos “crossovers” do mercado e faz concorrência direta a outros pequenos SUV como o Mini Countryman ou o Juke. No entanto, nem tudo são rosas neste crossover. O isolamento de som não é o melhor, mas por aqui que experienciámos não foi impeditivo de uma recetividade, assim como o consumo que ficará em estrada bem acima dos 8 l aos 100 km e a suspensão não é para ossos macios. Na condução normal com tração dianteira não é, naturalmente, um carro para grandes aventuras em velocidade, mas é um veículo a puxar pela adrenalina em terrenos difíceis. No alcatrão responde com precisão, mas não se pode exagerar na velocidade e na aderência. Não foi feito para esse tipo de performances. Embora pequeno quando comparado com outros SUV do mercado, tem um bom equilíbrio entre condução, visibilidade exterior e equipamento. O interior é servido por um nível de entretenimento ideal para um carro clássico de família. Os cinco ocupantes viajam sem grandes incómodos (excluindo a suspensão), mas a bagageira não é suficientemente grande para transportar “a casa” atrás. Em contraste, é um carro de fim-de-semana ou o crossover ideal para a deslocação ao surf com os amigos. Aliás, o target principal deste Jeep que vive reminiscências de há algumas dezenas de anos – e que no interior puxa pelo ADN dos avós com a grande força que a marca dá nos logos -, é capturar os “millennials” ou gerção Y, mas também a geração que se lhes segue, os “centennials” ou geração Z. Este é um carro que faz a transposição entre gerações. O exterior tem uma grelha de sete entradas e umas óticas que estão encastradas no capô, enquanto o interior tem alguns pormenores de relevo, caso do desenho de uma mancha de lama no conta-quilómetros, apelando à permanente aventura.

A customização exterior com alguns autocolantes realça o espírito livre que o designer do carro lhe quis imprimir. O modelo experimentado foi de caixa manual de seis velocidades, o que é considerado um trunfo para quem quer sentir a estrada ou a areia. No entanto, a marca lançou este ano dois outros motores, um 95 cv e um outro de 120 cv e de caixa automática, e onde se incluem pneus específicos para neve e lama.




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