‘Rating’ de Portugal: irá a S&P confirmar que não há duas sem três?

Depois da Fitch e da Moody's terem revisto em alta a perspetiva sobre Portugal, a agência de notação Standard and Poor's poderá também fazê-lo esta sexta-feira. As três mantêm o 'rating' da República no nível de 'lixo', mas este passo poderá dar indicações positivas sobre o futuro.

A Standard and Poor’s (S&P) poderá dar razão ao ditado esta sexta-feira, se se tornar a terceira agência de notação financeira a melhorar a perspetiva sobre Portugal, este ano. Apesar de ser pouco provável que a S&P reveja o rating em alta, a agência poderá passar a perspetiva para positiva.

Duas semanas depois de ter estado na mira da Moody’s, esta sexta-feira o rating da República está novamente em destaque. Desta vez, é a S&P. Estas duas agências (e também a Fitch) mantêm a notação de Portugal no grau especulativo, ou seja, ‘lixo’.

No entanto, a Fitch e a Moody’s já mudaram a perspetiva para positiva, depois de Portugal ter saído do Procedimento por Défice Excessivo (PDE). A S&P poderá também melhorar este parâmetro, que está atualmente em estável e indica a aptidão para mudanças no rating.

Na última revisão, em março, a S&P manteve o rating de Portugal inalterado no patamar de BB+, tendo apontado como riscos o aumento da dívida pública com a injeção de capital na Caixa Geral de Depósitos. A agência justificou ainda a decisão com um “equilíbrio” entre a expetativa de que o país prossiga a consolidação orçamental nos próximos anos e a redução de riscos no setor bancário com as “vulnerabilidades que resultam de uma elevada dívida pública e privada”.

Sobre o crescimento económico, a S&P antecipou, em março, que o crescimento do PIB atinja os 1,5% este ano, depois do crescimento de 1,4%, no ano passado. A agência destacou como positivo que a meta orçamental de 2,4% do PIB tenha sido cumprida pelo Governo no ano passado.

A expetativa é especialmente alta depois de a agência Fitch ter feito o upgrade da perspetiva nacional em junho e a Moody’s há duas semanas. O Governo tem estado confiante que Portugal poderá estar mais próximo de voltar ao grau de investimento.

Há duas semanas, depois da decisão da Moody’s, o ministro das Finanças, Mário Centeno afirmou que a revisão da perspetiva é um “reconhecimento cada vez mais amplo dos sólidos resultados económicos e financeiros alcançados por Portugal e reiterando a confiança no percurso futuro”.

“Esta decisão abre caminho para uma atualização do rating da República para o grau de investimento de qualidade, que decorrerá da confirmação da sustentabilidade do crescimento económico, da qualidade da gestão orçamental e do impulso reformista do Governo”, acrescentou.

Depois desta sexta-feira, a próxima avaliação à notação portuguesa será a 20 de outubro, da DBRS. A agência canadiana é a única, das quatro consideradas pelo Banco Central Europeu (BCE), que atribui grau de investimento a Portugal, uma posição que qualifica o país para o programa de compra de ativos da zona euro.

Assim, a única oportunidade que Portugal vai ter de sair do patamar de ‘lixo’ ainda este ano é a 15 de dezembro, data em que a Fitch tem marcada uma nova avaliação a dívida nacional.





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