Quinta ronda negocial do Brexit começa com “prova de fogo” para Theresa May

A nova fase de discussões será a prova de fogo para a primeira-ministra britânica, Theresa May, esclarecer a posição do Reino Unido face ao Brexit, depois de o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ter alertado para a permanência de "grandes divergências" de parte a parte que impossibilitam "progressos" nas negociações.

Reuters

O Reino Unido e a União Europeia (UE) vão dar esta segunda-feira início à quinta ronda de negociações dos termos de saída dos britânicos do bloco europeu. A nova fase de discussões será a prova de fogo para a primeira-ministra britânica, Theresa May, esclarecer a posição do Reino Unido face ao Brexit, depois de o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ter alertado para a permanência de “grandes divergências” de parte a parte que impossibilitam “progressos” nas negociações.

Michel Barnier, o negociador designado pelo executivo comunitário para representar a UE nas discussões com o Reino Unido, pede a Theresa May mais pormenores sobre o futuro dos cidadãos europeus a viver no Reino Unido, a fatura a pagar pelo divórcio e a questão fronteira na Irlanda do Norte. Depois de quatro rondas de negociações, estas três questões que a União Europeia considera fundamentais antes de avançar com uma segunda fase da negociação, continuam sem resposta.

Howard John Davies, o presidente da Royal Bank of Scotland (RBS), um dos maiores bancos britânicos, adverte ao jornal britânico ‘Financial Times’ que o Governo britânico tem apenas seis meses para garantir um acordo de transição. Se até março não houver avanços nas negociações, “o número de movimentos de pessoas para fora de Londres vai acelerar” e empresas como a RBS podem vir a mudar as suas sedes para outros países da União Europeia.

Enquanto isso, o ministro do Departamento de Justiça, Dominic Raab, já afirmou que o Reino Unido está a ponderar a possibilidade de deixar a UE em março de 2019 sem acordo sobre uma relação futura. A opção por um ‘hard Brexit’ obrigaria o país a ter de estabelecer postos alfandegários, sistemas de controlo de tráfego aéreo e novas instituições independentes.

No entanto, Theresa May está focada em garantir um “Reino Unido soberano” e quer uma “parceria nova, profunda e especial” com uma “União Europeia forte e bem-sucedida”. “Alcançar essa parceria exigirá liderança e flexibilidade, não apenas de nós, mas também dos 27 países da UE”, afirmou este domingo a líder conservadora, garantindo estar “otimista” de que “a resposta será positiva”.

Também o ministro britânico para a saída da UE, David Davis, diz estar otimista quanto a um “acordo em breve” sobre as três matérias prioritárias. David Davis ressalva, contudo, que o Reino Unido “estará preparado” para o caso de não obter “um acordo satisfatório” com Bruxelas, estando já a elaborar um “plano de contingência”.



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