Puidgemont acredita ser possível governar Catalunha a partir de Bruxelas

O ex-presidente do Governo regional da Catalunha Carles Puidgemont acredita que é possível governar a região a partir de Bruxelas, Bélgica, onde está a residir desde que foi emitido um mandato de captura em seu nome (suspenso no dia 5 de dezembro), após a destituição do seu executivo.

Yves Herman/Reuters

Carles Puigdemont, que embora esteja fora da Catalunha integrou as listas do Juntos pela Catalunha e foi eleito para o parlamento catalão, afirmou esta sexta-feira, numa entrevista à Catalunya Rádio, ser possível governar a região mesmo que não esteja no território, graças aos meios tecnológicos.

“Hoje, os grandes negócios são liderados com as novas tecnologias. Não são as condições normais que gostaríamos de ter, mas é melhor do que governar a partir da prisão”, argumentou.

Após as eleições para o parlamento da região autónoma da Catalunha, a 21 de dezembro, que deu a vitória eleitoral ao Cidadãos de Inés Arrimadas, mas maioria parlamentar aos partidos independentistas, a Catalunha vive um impasse legislativo por ser incerto quem vai liderar a próxima Generalitat. Carles Puidgemont, apesar de tudo, ainda pode vir a liderar o novo governo catalão.

Inés Arrimadas reclamou, como seria de esperar, a vitória eleitoral e a legitimidade para governar, mas por existir uma maioria parlamentar de apoiantes da questão independentista (assunto que motivou as eleições de 21 de dezembro 2017), os partidos Esquerda Republicana (ERC) e Juntos pela Catalunha, que em conjunto têm mais deputados no parlamento do que o Cidadãos, iniciaram conversações para um possível acordo de governação. A 10 de janeiro foi noticiado que Puidgemont e Marta Rovira, líder da ERC, tinham chegado a acordo em Bruxelas para que o auto-exilado Puidgemont possa ser investido na presidência catalã.

O primeiro passo nesse sentido foi dado na quarta-feira, 17, com a eleição de Roger Torrent como presidente do Parlmento da Catalunha. O pró-independentista da ERC, eleito na sessão inaugural do parlamento catalão, conquistou 65 votos a favor dos três grupos independentistas (ERC, Juntos pela Catalunha e CUP), contra os 56 conseguidos pelo candidato José Maria Espejo, do Cidadãos.

A eleição de Torrent pode não querer dizer nada, mas a Catalunha tem até ao dia 23 de janeiro para viabilizar uma nova Generalitat e a sua eleição pode antever a concretização do acordo entre a ERC e Juntos pela Catalunha.

O Governo espanhol, contudo, já avisou que irá recorrer “imediatamente” e “sem vacilar” a qualquer tipo de “truque” para investir Carles Puigdemont à distância, sem estar presente, como presidente do executivo catalão.

Também à Catalunya Rádio, Puidgemont afirmou esta sexta-feira que cabe à Mesa Parlamentar, liderada por Torrent, “o dever legal e constitucional” de tomar uma decisão quanto à futura Generalitat. “Não são os advogados a tomar decisões”, afirmou.

A ERC quer Puidgemont, mas se a investidura à distância não se concretizar a alternativa deverá recair em Oriol Junqueras, nome consensual entre os independentistas, mas que se encontra detido preventivamente –  o que levanta uma série de outras questões legais. O antigo número de dois de Puidgemont no anterior executivo catalão foi, ainda assim, o cabeça de lista do Juntos pela Catalunha.

 




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