Portugal, uma “miragem keynesiana”?

Ferdinando Giugliano, colunista da Bloomberg, afirma que os defensores da teoria económica Keynesiana não deviam ainda celebrar já que o "milagre orçamental português" resulta de cortes na despesa para compensar a descida nas receitas com impostos.

Foto: Cristina Bernardo

“Portugal é uma miragem keynesiana”, escreve o colunista Ferdinando Giugliano num artigo de opinião publicado esta sexta-feira na Bloomberg. Giugliano refere-se à teoria económica de John Keynes para explicar que Portugal até pode ter conseguido um défice orçamental abaixo do esperado, mas à custa de cortes profundos na despesa pública, o que poderá comprometer o futuro.

A Comissão Europeia foi criticada por impor austeridade a países em crise, especialmente por economistas de esquerda. Estes defendem que a subida dos impostos e diminuição no investimento são prejudiciais para as economias, mais do que benéficos já que causam um recuo no crescimento económico.

“Os defensores desta visão foram confirmados na semana passada, quando Portugal anunciou o défice mais baixo desde o início da democracia, em 1974”, escreveu Giugliano, lembrando que o Governo de António Costa atingiu um défice em 2% do PIB, quando a previsão da União Europeia era 2,5%, apesar de aumentar as pensões e a despesa no setor público.

“Mas os keynesianos não deviam celebrar tão cedo”, continua. “O milagre fiscal português também reflete cortes profundos na despesa do Estado para compensar a descida nas receitas fiscais. Portanto, sim, o Governo aumentou as transferências e diminuiu o défice orçamental, mas ao custo de renunciar ao investimento produtivo para o futuro”.

O colunista lembra ainda que o investimento público em Portugal recuou 28,9% no ano passado e apenas 2,9 mil milhões de euros foram alocados para estradas, hospitais, ou seja, 1,6%, o valor mais baixo desde 1995. No entanto, Giugliano diz que o problema não é totalmente “culpa” do Governo, mas também da diminuição do investimento por parte da União Europeia.

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