“Portugal estava a reerguer-se. Depois tudo correu mal”: Verão português visto ‘à lupa’ por imprensa internacional

“Depois de anos de estagnação e recessão, Portugal estava a reerguer-se. Depois tudo correu mal”, analisa o site "Politico".

As dificuldades que o país ultrapassa são sentidas e notadas por muitos em Portugal, analisa a imprensa internacional. Nomeadamente o site Politico escreve mesmo sobre o tema afirmando que “depois de anos de estagnação e recessão, Portugal estava a reerguer-se. Depois tudo correu mal”.

Os incêndios que roubaram a vida a 64 pessoas e os roubos de armas em Tancos fizeram absoluto contraste com as glórias sentidas depois do primeiro lugar no Festival Eurovisão e da eleição de Guterres para líder das Nações Unidas. Estava tudo bem e, depois, ficou tudo mal outra vez, escreve o Politico.

O primeiro-ministro, no seu discurso à nação, referiu este evento como “a maior catástrofe das últimas décadas”, afirmando que “em menos de 24 horas passámos do alívio para o tumulto, da satisfação à consternação”.

Depois dos incêndios, a crise foi outra, a autoconfiança dos portugueses foi abalada pelo assalto em Tancos, uma base militar a nordeste de Lisboa de onde foram levadas 150 granadas, armas anti-tanque, mais de 200 explosivos, dezenas de detonadores e centenas de munições, analisa o Politico.

O caso levou mesmo a que fosse pedido a Costa que renunciasse ao cargo, com várias discussões sobre quem era o responsável pelos cortes no orçamento da defesa. Não esquecer ainda a polémica do SIRESP, o sistema de comunicação que falhou em todos os momentos em que foi necessário e a resposta à pergunta: quando vai começar a ser feita uma maior prevenção aos incêndios? Uma realidade recorrente dos verões em Portugal, dizem os meios internacionais.

Seguiu-se a renúncia de três ministros, no momento em que o Ministério Público os iria nomear para responder numa investigação relacionada com uma viagem de despesas pagas ao campeonato europeu de futebol, em França, pela Galp.

Este afirma-se como um dos momentos mais difíceis que o executivo de Costa teve de enfrentar, desde que tomou o cargo em 2015, ainda assim, mantém-se o líder político mais popular.

De acordo com o “Politico”, os analistas referem que este verão ainda pode ter mais impacto. André Azevedo Alves, especialista político da Universidade Católica de Lisboa em Portugal e St. Mary’s University, Londres diz que “a escala trágica dos incêndios e o assalto em Tancos refletem-se nas instituições do Estado e podem ter um efeito corrosivo. Até agora, tudo parecia estar a ir no bom caminho com este governo, superaram as expectativas, agora as coisas estão pior do que o esperado”.



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