Portugal emite 1.250 milhões em dívida de curto prazo com taxas negativas

Portugal voltou esta quarta-feira aos mercados e conseguiu financiar-se com as taxas mais baixas do ano. O leilão duplo, de dívida a três e 11 meses, acontece apenas dois dias antes da revisão do rating da República pela agência canadiana DBRS.

D.R.

Portugal emitiu 1.250 milhões de euros em dívida de curto prazo, o montante máximo indicativo com as taxas de juro mais baixas do ano. No leilão desta manhã, o IGCP, agência de gestão de dívida pública portuguesa, colocou 300 milhões em Bilhetes do Tesouro (BT) com maturidade em 21 de julho de 2017 e 950 milhões de BT com prazo em 16 de março de 2018.

A taxa de colocação na maturidade mais longa foi de -0,135%, o que compara com uma taxa -0,096% no último leilão de dívida a 11 meses, que aconteceu a 15 de fevereiro. Na maturidade mais curta, a taxa de colocação foi de -0,266%, em comparação com uma taxa de -0,219% conseguida no mesmo leilão em fevereiro.

“A descida do prémio de risco em toda a zona euro justifica estas taxas negativas nos dois prazos, ainda mais negativas que as emissões anteriores”, explica Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa. “É um movimento que vimos sentido nas últimas semanas, e especialmente na última semana, o da queda das taxas”.

No mercado secundário, a yield das obrigações benchmark, ou seja a 10 anos e que é vista como indicador do risco soberano, negoceia esta manhã perto 3,78%, em linha com a descida generalizada das taxas em quase todos os países europeus.

Segundo Filipe Siva, esta “terá sido esta a principal razão para o sucesso desta emissão, em que as taxas saíram a níveis de mínimos históricos”. A yield da dívida portuguesa beneficia, assim, de um alívio, depois de os juros portugueses terem negociado acima dos 4% há menos de um mês, valor que muitos analistas consideram uma ‘linha vermelha’ para a dívida nacional.

O gestor de ativos da Orey iTrade, José Lagarto, lembra, no entanto, que o “bid-to-cover ficou abaixo do [último leilão em fevereiro]”, ou seja, registou-se uma procura menos robusta. A procura superou a oferta em 1,41 vezes, nos BT a 11 meses, o que compara com uma procura de 1,92 vezes na emissão anterior. Nos BT a três meses, a procura foi 2,5 vezes superior à oferta, face às 4,08 vezes no leilão anterior.

No último leilão de dívida pública, que aconteceu na passada quarta-feira, o Tesouro colocou  1.250 milhões de euros em Obrigações do Tesouro (OT) a cinco e sete anos, o montante máximo indicativo, também com taxas mais baixas do que em a leilões anteriores. Este é o quarto leilão de Bilhetes do Tesouro este ano e o último antes da reavaliação do rating de Portugal pela DBRS, marcado para esta sexta-feira.

“Apesar de algum sentimento de risco nos mercados financeiros, que levou o uma subida na volatilidade do spread da divida soberana entre os países do sul para a alemã, Portugal acabou por se financiar a níveis mais favoráveis, o que não deixa de ser um sinal positivo para o sentimento em torno do país, a dias da reavaliação do rating de Portugal por parte da DBRS”, refere o gestor de ativos da Orey iTrade.

A agência canadiana mantém a notação portuguesa em BBB desde 2012 e é a única entre as principais agências de notação mundiais a considerar a dívida nacional em grau de investimento. A avaliação da DBRS à dívida portuguesa tem permitido ao país condições de financiamento mais favoráveis e garante a elegibilidade dos títulos portugueses para o plano de aquisição de dívida pública do Banco Central Europeu (BCE).

Segundo o calendário do IGCP, este trimestre vão acontecer ainda outros dois leilões de BT, a 17 de maio e 21 de junho. As emissões de OT são marcadas até três dias úteis antes da data, como é costume, sendo esperadas colocações de mil a 1.250 milhões de euros por emissão através da combinação de sindicatos e leilões.

[Notícia atualizada às 11h05 com comentários de analistas]

Mais notícias