Pierre Moscovici: ‘Frexit’ seria um golpe “fatal” para a Europa

O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros e ex-ministro das Finanças francês defende que os "pró-europeus terão de encontrar voz novamente", para fazer frente à onda populista e eurocética que tem vindo a ganhar força em França.

A menos de duas semanas das eleições presidenciais de França, agendadas para 23 de abril, o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, confessa estar “preocupado” com o aumento do euroceticismo em França e com os avanços da Frente Nacional de Marine Le Pen. Depois da saída do Reino Unido, Pierre Moscovici acredita que o ‘Francexit’ seria um golpe “fatal” para a Europa.

Em entrevista ao site de notícias online EURACTIV, o comissário europeu diz que a Comissão Europeia não tem um plano B para dar resposta à onda populista e eurocética que tem vindo a ganhar força na Europa, sobretudo em França, até porque isso significaria que “se acredita que o plano A vai falhar” e que o projeto europeu é algo “fracassado”.

“É preocupante a tendência que o euroceticismo está a tomar e França”, defende Pierre Moscovici. “Uma saída da União Europeia e da zona euro seria fatal para a Europa, além de ser um cenário terrível para a França”.

Apesar de entre os onze candidatos ao Palácio do Eliseu, sete serem eurocéticos, Pierre Moscovici indica que “todos os principais candidatos, com exceção de Marine Le Pen têm mais ou menos uma visão europeísta de algum tipo”. “O pior cenário destas eleições seria uma vitória de Marine Le Pen”, defende.

O comissário europeu acredita, no entanto, que a probabilidade da candidata de extrema-direita, Marine Le Pen – que é a favor do euroceticismo e que tem vindo a liderar aos sondagens ao lado do centrista Emmanuel Macron – ganhar a segunda volta são “reduzidas” e que não vê nenhuma razão para que “mais de 50% dos eleitores franceses depositem confiança num projecto suicída para a França e perigoso para a União Europeia como este”.

No entanto, Pierre Moscovici sublinha que “o simples fato de as sondagens indicam que Marine Le Pen chegará à segunda volta com 40% dos votos já é um sinal de algo errado na França”. O comissário, que também já foi ministro das Finanças francês, defende que os “pró-europeus terão de encontrar voz novamente nos meses e anos vindouros”.

O comissário europeu, que foi também  deixa ainda um aviso aos candidatos às presidenciais francesas: “Continuar a acumular dívidas compromete o futuro”. Segundo as estimativas do Eurostat, o défice da França deve cair este ano para os 2,9%, ficando abaixo do limiar estabelecido pela União Europeia de 3% para se libertar do procedimento por défice excessivo. Atualmente apenas dois países continuam acima da linha dos 3%: a Espanha e a França.

“Espera-se que a França cumpra os seus compromissos. A França não pode permitir que em 2018 seja o único país acima de 3%. Respeitar 3% não é opcional, é uma necessidade política”, sublinha.

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