Paulo Macedo: “A CGD concorre no mercado sem quaisquer benefícios”

Paulo Macedo comentou o facto de o banco começar o ano com prejuízos, depois da grande recapitalização, "se a CGD não apresentar lucros tem um duplo problema", disse. Sobre a indemnização aos ex-administradores disse que será um assunto resolvido "em breve".

Cristina Bernardo

O banco do Estado apresentou hoje os seus resultados do primeiro trimestre, à semelhança do que fazem os outros bancos do sector. “Achamos que devemos prestar contas”, explica Paulo Macedo na fase das perguntas e respostas depois de apresentar os números do trimestre.

O tema do encerramento do balcão em Almeida foi abordado pelo presidente do banco. “A CGD concorre no mercado sem quaisquer benefícios”, diz Paulo Macedo quando o tema das questões se centra no encerramento de balcões e na contestação popular que se levantou no concelho de Almeida. Sobre este tema disse que a administração da Caixa não sofreu qualquer pressão por parte do Governo na escolha dos balcões a fechar. Ainda sobre a reestruturação de balcões, Paulo Macedo diz que não prevê mais encerramentos este ano.

Sobre as comissões que o banco aumentou a partir de abril, Paulo Macedo diz que o que está previsto no plano é um aumento de 100 milhões de euros em quatro anos. “A Caixa tem de comissionar os seus serviços e tem hoje menos comissões do que outros bancos. Inclusive, do que outros bancos com menor volume de negócio e maiores comissões”, explica.

“Não há conflito de interesses com a EY”

Sobre a escolha da nova auditora da CGD, que recaiu sobre a Ernst & Young (EY), Paulo Macedo explicou que foi uma proposta do Conselho Fiscal. “O conselho fez a sua proposta ao acionista e penso que o acionista fez hoje uma deliberação no sentido de acolher a proposta fiscal de ser a EY”, disse. “É uma questão que tem de ser comunicada ao mercado e temos de ver se estamos a cumprir todas as formalidades”, disse.

O presidente do banco foi confrontado com o facto de ser a mesma auditora que foi incumbida pelo Governo de fazer a auditoria à gestão da CGD no período entre 2000 e 2015, mas o banqueiro recusou qualquer conflito de interesses.

“Essa questão foi analisada. As diferentes empresas de auditoria que se candidataram — três auditoras ao todo — disseram que não havia qualquer conflito de interesses” por realizarem os dois trabalhos.

Terá de ser confirmada a escolha da EY na AG do banco, que ainda não está marcada.

“Se a CGD não apresentar lucros tem um duplo problema”

O banco que concluiu no 1º trimestre de 2017, as fases 1 e 2 do Plano de Recapitalização acordado entre o Estado Português e a Comissão Europeia (DG Comp), e que tem o compromisso com Bruxelas de gerar lucros, começa o primeiro trimestre do ano com prejuízos de 38,6 milhões de euros. Mas questionado Paulo Macedo respondeu que “Se a CGD não apresentar lucros tem um duplo problema: é algo que não é normal, porque é suposto as empresas terem lucro, e a geração de lucros é por excelência a produção de capital. É indispensável que a Caixa gere lucros. Contamos que atividade recorrente já este ano seja positiva. Gostávamos de trimestre a trimestre de aumentar os resultados recorrentes.”

A CGD disse que o resultado líquido recorrente atingiu 3,5 milhões de euros no trimestre.

“A questão da Caixa é que tem custos de reestruturação significativos. Nós estamos obviamente muito focados na geração de resultados, mas a perspetiva que temos é que devemos focarmo-nos mais na atividade do que propriamente nos custos extraordinários que deverão existir ainda em 2017 e 2018”, disse o CEO da CGD.

Sobre vendas de eventuais operações internacionais, ou encerramentos, Paulo Macedo não adiantou muito. “Temos processos que estão a decorrer. Se tivéssemos alguma decisão tínhamos de comunicar à CMVM”.

O contributo da área de negócio internacional para o resultado líquido consolidado do Grupo alcançou no 1º trimestre deste ano 49,6 milhões de euros (+24,3% do que em igual período do ano anterior).

Os maiores contribuidores foram o BNU Macau (15,6 milhões de euros), a Sucursal de França (13,5 milhões de euros), o BCG Angola (7,2 milhões de euros) e o BCG Espanha (4,9 milhões de euros).

Indemnizações a Tiago Ravara Marques e Pedro Leitão

Relativamente aos valores para eventuais indemnizações para os ex-administradores da CGD que não se demitiram com o ex-presidente António Domingues (Tiago Ravara Marques e Pedro Leitão), Paulo Macedo disse que “o que nós entendemos é que será decidido brevemente pela comissão de vencimento. Creio que será um processo encerrado a curto prazo”, e mais não disse.

Como se sabe os dois administradores têm direito ao pagamento dos salários até ao fim do mandato para que foram eleitos e que acaba em 2019.

Composição do Conselho

A Caixa Geral de Depósitos vai ter 16 administradores “oito administradores executivos e não executivos”. Neste momento “há um elemento que está a preencher formulários e a responder a entrevistas e por isso ainda não está submetido à aprovação do BCE”.
Há ainda três nomes a ser avaliados pelo BCE (dois não executivos e um executivo), e a CGD aguarda aprovação “em breve”. Paulo Macedo referia-se a Carlos Albuquerque, antigo director de supervisão do Banco de Portugal, que vai para administrador executivo; a Alberto Souto, antigo quadro do Banco Europeu de Investimento, e um outro administrador estrangeiro.
Neste momento, a Caixa tem 12 administradores dos quais sete executivos.

 

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