Oitante: prejuízo de 190 mil euros em 2015, mas redução de 12% da dívida em 2016

A Oitante adianta que, apesar de não estar finalizado o apuramento de contas relativo ao exercício de 2016, o conselho de Administração antecipa que os resultados líquidos de 2016 permitirão mais do que compensar o impacto do resultado líquido de 2015 que foi de 190 mil euros negativos em 11 dias.

O relatório e contas de 2015 foi finalmente publicado e com ele ficou conhecido o perímetro de ativos e passivos da sociedade que ficou com os ativos do Grupo Banif que não foram vendidos ao Santander Totta, em dezembro de 2015.

A Oitante nasceu a 20 de dezembro de 2015 com 512 colaboradores; herdou 5.587 imóveis; 4 edifícios ocupados com um total de 18.397 m2; rendas em incumprimento no valor de 590 mil euros e pagamentos em atraso no valor de 3 milhões de euros. Herdou uma carteira de crédito no valor 877 milhões de euros num total de 27,3 mil operações.

Um ano depois desceu em 38% o número dos colaboradores para 320, vendeu 326 imóveis (no fim de dezembro de 2016 tinha 5.261 imóveis). Os edifícios ocupados passaram um ano depois a ser três com uma área de 12.672 m2. As rendas em incumprimento caíram 60% para 235 mil euros e os pagamentos em atraso reduziram-se 80% para 500 mil euros.

A Oitante reduziu ainda num ano a dívida em 12% para 656 milhões de euros. Tinha 746 milhões de euros de dívida uma vez que na sua constituição foi determinado o pagamento pela Oitante de uma contrapartida ao Banif pelos direitos e obrigações, que lhe foram transferidos, através da emissão de obrigações representativas de dívida emitidas pela Oitante, nesse valor de 746 milhões.

A Oitante começou com uma carteira de 41 participações financeiras num montante de 275 milhões de euros. Um ano depois, em dezembro de 2016, as receitas com participações financeiras somavam 62 milhões de euros (-77%) e o número de participações financeiras descia 37% para 26.

Em dezembro de 2015, os custos com pessoal (anual) foram de 25,9 milhões de euros. Um ano depois os custos caíram 35% para 16,8 milhões de euros.

Já os custos com prestadores externos (anual) foram de 27,3 milhões de euros, mas um ano depois caíram 10% para 24,5 milhões. A sociedade obteve ainda de receitas com imóveis (anual) de 3,8 milhões de euros em dezembro de 2015. Mas essas também caíram 12% para 3,3 milhões de euros.

Atividade de 2015: prejuízos de 190 mil euros em 11 dias

A Oitante, sociedade anónima cuja constituição foi deliberada pelo Conselho de Administração do Banco de Portugal, no contexto da aplicação de uma medida de resolução ao Banif  que ocorreu no dia 20 de dezembro de 2015, teve prejuízos de 190 mil euros em 2015.

A empresa liderada por Miguel Barbosa, diz que o Relatório e Contas reporta a atividade da Oitante durante apenas 11 dias de atividade, atendendo ao momento de constituição da Sociedade, 20 de dezembro de 2015. “Por isso, este Relatório e Contas assume mais uma função de caracterização da Sociedade”, relata o documento.

O resultado líquido negativo de 190 mil euros é explicado por proveitos de cerca de 1 milhão de euros, resultantes essencialmente da prestação de serviços ao Banco Santander (migração de serviços); gastos operacionais de cerca de 870 mil euros, relacionados em larga medida com os custos com pessoal (830 mil euros); juros e gastos similares suportados em resultado das obrigações emitidas (528 mil euros).

A Oitante adianta ainda que, apesar de não estar finalizado o apuramento de contas relativo ao exercício de 2016, o conselho de Administração antecipa que os resultados líquidos de 2016 permitirão mais do que compensar o impacto do resultado líquido de 2015.

Ativos que já foram vendidos (até dezembro de 2016)

“Atendendo a que a Oitante foi criada sem qualquer liquidez, a prioridade inicial da Oitante foi alienar os ativos mais líquidos (PT e Goldman Sachs Bonds) e procurar gerar fluxos de receitas sustentáveis através de um Transitional Service Agreement (TSA) com o BST”, revela fonte da Oitante.

A geração de liquidez surgiu ainda da estruturação das equipas para alienação dos ativos imobiliários e recuperação de crédito, por forma a assegurar a monetização dos ativos de forma eficiente e a maximizar o seu valor.

Em termos de alienação de ativos com potencial impacto financeiro para a Sociedade, e atendendo às restrições de liquidez da Oitante, foram identificados e alienados as participações financeiras com exposição regulatória e eventuais necessidades de capital (Açoreana, Banif Banco de Investimento, Banif Pensões, Gamma Soc. Titularização de Crédito e Banif Malta).

A regularização jurídica dos ativos transferidos foi também concluída.  Foi feita a alteração do registo dos imóveis e dos créditos transferidos do Banif, a par da obtenção das isenções fiscais daí decorrentes. A reorganização da estrutura interna da sociedade “com vista a assegurar melhor as necessidades e especificidades de uma sociedade gestora de ativos (redução de 22 para 5 direções)”, é ainda realçado por fonte da Oitante.

Foi dado início do processo de reorganização dos espaços ocupados pelos colaboradores da Oitante, em Lisboa e no Porto, de modo a procurar soluções economicamente mais sustentáveis (redução de 31% da área ocupada).

Num ano, a sociedade gerida por Miguel Barbosa gerou 6,8 milhões de euros de liquidez.

 



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