Metro de Lisboa: Novas estações podem valorizar imóveis em 10% a 15%

A expansão do Metro de Lisboa vai, sobretudo, valorizar as acessibilidades de quem vive e trabalha nas zonas contempladas com as novas estações.

O Jornal Económico avançou na semana passada a notícia da expansão do Metropolitano de Lisboa e a construção de quatro novas estações, nomeadamente na Estrela, Santos, Campolide e Amoreiras, sendo que será ainda construída uma ligação pedonal subterrânea entre a futura estação de metro das Amoreiras e o bairro de Campo de Ourique. O Ministério do Ambiente confirmou em comunicado que a expansão está prevista até 2022 e terá um investimento de 684 milhões de euros.

Com este empreendimento, fica a ganhar a cidade de Lisboa e, sobretudo, os moradores das zonas onde as estações serão construídas, bem como os que também trabalham nas redondezas. Na verdade, as estações serão construídas essencialmente em zonas residenciais consolidadas. Na opinião de Beatriz Rubio, CEO da RE/MAX Portugal, irão valorizar sobretudo as zonas em questão, uma vez que vão passar a ter melhores acessos. “O metro vai também facilitar o dia a dia dos moradores, que não terão de se movimentar tanto de carro. No entanto, não acredito que vá ter implicações diretas no aumento dos preços das casas, porque estas já estão muito valorizadas”, assegura.

Também Pedro Lancastre, diretor-geral da JLL, adianta que é difícil quantificar a valorização, mas sendo a localização e respetivos acessos fatores primordiais na valorização do imobiliário, é expectável que os preços possam subir. “Estamos a falar de zonas muito tradicionais e consolidadas na cidade de Lisboa para o segmento residencial e, por isso, já bastante valorizadas. Passarem a ter metro é uma mais-valia muito importante, que irá aumentar ainda mais a sua atratividade e o preço dos imóveis”, garante o resposnável.

Apesar de já serem zonas muito valorizadas e de todos os especialistas garantirem que irá ter alguma implicação no preços das casas, esse aumento não será assim tão evidente. Ricardo Sousa, Administrador da Century 21 Portugal, é da mesma opinião: “A expansão do metropolitano para estes bairros – que já apresentam níveis elevados de procura de soluções de habitação – irá, seguramente, valorizar as infraestruturas de apoio e melhorar a qualidade de vida nestas zonas, o que, consequentemente, implicará um aumento do valor dos imóveis”.

Francisco Sottomayor, diretor de Promoção da CBRE, também salienta que é difícil determinar o impacto direto nos preços do produto residencial. “Estimamos que a valorização poderá andar entre 10% a 15%, e que os proprietários e os promotores imobiliários poderão começar a captá-la desde já e de forma mais evidente nas estações que arrancam proximamente”, revela o responsável. Quanto aos escritórios, “é sabido que, para grande parte da procura de escritórios ativa em Lisboa, a proximidade ao Metro é um fator decisivo, particularmente quando se trata de operadores de serviços partilhados ou de call centres”, garante.

Já César Neto, presidente da Associação dos Industriais e Construção de Edifícios – AICE, salienta que poderá resultar algum impacto positivo dessa ação, incrementando uma maior procura de imóveis nas novas áreas a servir pela rede do metro. Por outro lado, vai certamente contribuir para minimizar a “fome de trabalho” que os grandes empreiteiros, em especial, têm sentido. “Mas não há bela sem senão! As longas obras que se avizinham vão introduzir temporalmente um ‘caos’ na circulação e um desequilíbrio na tranquilidade dos frequentadores das zonas a intervir. Espera-se que as alterações à superfície sirvam ainda para reorganizar as vias de comunicação e para incrementar novos espaços públicos, que os habitantes ou meros visitantes possam usufruir em pleno”, conclui César Neto.



Mais notícias
PUB
PUB
PUB