Moody´s prolonga revisão em baixa do rating do Novo Banco por considerar que há riscos

Decisão reflete a incerteza em torno da operação de troca de obrigações seniores, que está ainda em processo de definição. Se não tiver êxito, "há um risco acrescido de resolução ou liquidação para o banco com perdas consequentes para credores".

A Moody’s prolongou a revisão para  downgrade (em baixa) no rating dos depósitos (Caa1) do Novo Banco e na classificação da dívida sénior (Caa2) do banco e suas subsidiárias. Em comunicado divulgado hoje, a Moody’s Investors Service estende assim os alertas aos riscos que subsistem no banco que está em processo de venda à Lone Star.

A extensão da revisão em baixa do rating reflete o fato de a troca de obrigações seniores, conhecido por LME ( liability management exercise), do Novo Banco ainda estar em processo de definição e de implementação. A Moody’s espera concluir a revisão das classificações do Novo Banco assim que tiver maior conhecimento das condições do LME, que é um requisito essencial para que seja cumprida a venda de uma participação maioritária do banco à Lone Star. “Se o LME não tiver êxito, há um risco acrescido de resolução ou liquidação para o banco com perdas consequentes para credores [detentores de obrigações e depositantes acima de 100 mil euros]”.

A avaliação de ratings foi iniciada em 5 de abril de 2017, após o anúncio feito pelo Banco de Portugal em 31 de março de 2017, de que, como parte do processo de venda do Novo Banco, será realizado um exercício de gestão de passivos (LME) sobre detentores de títulos de dívida sénior com o objetivo de recapitalizar o banco em pelo menos 500 milhões de euros. O Banco de Portugal também anunciou que a empresa de private equity Lone Star  adquirirá 75% do capital do Novo Banco depois de injetar 1.000 milhões de euros de capital, enquanto o fundo de resolução manterá 25% das ações do banco.

A decisão da Moody’s de estender o processo de revisão de rating é impulsionada pelo fato do processo de venda do Novo Banco estar em andamento.

A agência lembra que o LME proposto sobre as obrigações seniores em circulação do banco (3 mil milhões de euros no final de dezembro de 2016), para recapitalizar a instituição, tem o efeito de permitir que o emissor evite um eventual incumprimento no pagamento dos títulos de dívida,  de acordo com a análise da Moody’s. A agência de rating considera que esta oferta é uma troca de activos de risco (distressed exchange) que será feita como forma de evitar a liquidação do Novo Banco e conseguir fechar o processo de venda.

A avaliação da capacidade intrínseca do Novo Banco de conceder crédito também reflete os fundamentais muito fracos do banco, dado que o seu stock de créditos problemáticos ainda é muito alto e continua a crescer, continuando o banco a apresentar grandes prejuízos (797 milhões de euros no final de dezembro de 2016). “Estes serão, em parte, atenuados pela injecção de capital de Lone Star de 1.000 milhões de euros e pelo estabelecimento do chamado mecanismo de capital contingente para recapitalizar o banco em circunstâncias específicas. No entanto, estas medidas não são suficientes para evitar que a proposta de troca de dívida sénior do banco aumente em pelo menos 500 milhões de euros, o capital de nível 1  e, portanto, pode não evitar o incumprimento do banco na sua dívida sénior.

A classificação da dívida sénior do banco (Caa2) em revisão para downgrade reflete a opinião da agência de rating de que os detentores de títulos de dívida sénior do Novo Banco sofrerão prejuízos no LME proposto. Com base na informação actualmente disponível a oferta aplicar-se-ia a cerca de 3 mil milhões de euros de títulos seniores não garantidos, e  a Moody’s estima que as perdas para esses investidores se situarão entre 10% e 20%. No entanto, as perdas podem ser mais elevadas se o LME se aplicar a um stock de dívida mais limitado ou  se não tiver sucesso. A revisão do rating considerará o potencial de novas perdas para esses instrumentos, assim que a agência de rating possuir mais informações.

Atualmente, a Moody’s não espera que os depósitos, atualmente classificados com rating Caa1, venham a sofrer perdas. No entanto, a revisão para downgrade sobre essas classificações reflete o risco de que as perdas ainda possam surgir para os depósitos de mais elevado montante do Novo Banco se as medidas anunciadas se revelarem insuficientes para restaurar a viabilidade do banco, ou falharem completamente, aumentando assim o risco de resolução ou liquidação e consequentes perdas para os depositantes.

A agência conclui que o rating melhorará se a operação de troca de dívida tiver sucesso e se o processo de venda em curso for concluído com êxito.

(actualizada)

 

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