Moody’s corta notações do Novo Banco devido a processo de venda ao Lone Star

A agência cortou várias notações do Novo Banco, pondo algumas sob ameaça de mais cortes, depois de analisar o anúncio sobre a venda ao Lone Star. Segundo a Moody's, a troca de obrigações é 'distressed', ou seja, não voluntária.

A Moody’s pôs a notação dos depósitos de longo prazo do Novo Banco sob revisão para downgrade e cortou a notação da dívida sénior subordinada de longo prazo para Caa2 de Caa1, devido ao anúncio da venda do banco ao Lone Star impor perdas aos obrigacionistas seniores para gerar um ganho de capital de pelo menos 500 milhões de euros.

“O corte na notação da dívida sénior de longo prazo para Caa2, com perspetivas de um novo corte, reflete a expetativa da Moody’s sobre as perdas que os obrigacionistas seniores do Novo Banco vão provavelmente enfrentar como parte do liability management exercise (LME),” ou seja, do processo para garantir que o banco atinja os rácios de capital necessários.

A agência frisou que vê a troca oferecida aos obrigacionistas como distressed exchange, ou seja, como involuntária, e isso reflete-se também num corte do baseline credit assessment (BCA), que indica a opinião da Moody’s sobre “a probabilidade do banco falhar na ausência de apoio externo” em dois níveis para ca de caa2.

Tendo em conta a informação atual que a oferta será aplicada a cerca de 3,4 mil milhões de euros em obrigação seniores, a Moody’s estima que as perdas para esses investidores possam atingir entre 10% e 20%. “No entanto, as perdas podem ser mais elevadas caso o LME seja aplicado a um stock mais limitada de dívida, e a revisão sobre o downgrade [da dívida sénior] vai ter em consideração o potencial de perdas nestes instrumentos logo que a agência tenha mais informações sobre os termos e condições”.

A Moody’s também cortou a avaliação de risco de contraparte de longo prazo para B3(cr) de B2(cr), colocando também esta notação sob avaliação com vista a uma nova descida.

“Tendo em conta a informação atual, o LME não aparenta incluir os depósitos com notação e a agência decidiu não cortar a notação dos depósitos de longo prazo do Novo Banco de Caa1. No entanto, pondo-os sob revisão para corte, a Moody’s reconhece os riscos negativos para estes depósitos juniores caso as medidas anunciadas sejam insuficientes, ou falhem, em restaurar a viabilidade do banco, aumentando assim o risco de uma resolução ou liquidação e as consequentes para depositantes,” afirmou a Moody’s numa nota.

A agência adiantou que na revisão, vai focar-se nos termos do LME, no âmbito e funcionamento do chamado mecanismo de capital contingente a ser assegurado pelo Fundo de Resolução, no mais recente perfil financeiro do Novo Banco após a divulgação dos resultados de 2016, na estratégia a médio prazo e o plano de reestruturação do Lone Star para o Novo Banco, e no calendário da conclusão da venda incluindo aprovações pelo BCE e Bruxelas.

[Atualizada às 16h52]

 

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