Montepio reafirma à CMVM que não há contas para corrigir

Administração executiva da Caixa Económica já respondeu à CMVM, reafirmando que as contas publicadas reportadas a 30 de setembro de 2016 "não refletem nos resultados qualquer mais-valia extraordinária resultante da venda de participações sociais. Por consequência não há qualquer correção a efetuar nas contas".

O banco liderado por José Félix Morgado já prestou os esclarecimentos pedidos pela CMVM, soube o Jornal Económico junto de fonte próxima do processo. Na resposta reafirma que não há nenhumas mais-valias a corrigir porque o negócio nunca se fez, e recorda que as contas do Montepio foram auditadas.

O regulador do mercado de capitais pediu esclarecimentos à Caixa Económica Montepio Geral na sequência da notícia de hoje do Público, avançou o Negócios. Esta informação foi confirmada pelo Económico. “A CMVM desenvolveu diligências para o esclarecimento da situação” diz fonte oficial da Comissão.

Tudo porque o Montepio tinha prestado a informação à CMVM de que não havia contas para corrigir porque o negócio em causa nunca se teria feito. Hoje o Público diz que o Conselho Geral e de Supervisão (CGS) da Caixa Económica deu instruções à Comissão Executiva do banco para que corrigisse os resultados do terceiro trimestre de 2016 para reflectir a anulação da venda de 19% da I’m Mining, operação que seria responsável  pela contabilização nas contas de uma mais-valia extraordinária de 24 milhões de euros.

O órgão liderado por Pinto Correia terá também, segundo o Público, recomendado ainda a comunicação ao mercado desta rectificação, de acordo com a acta do CGS de 1 de Março. No limite, segundo o Público, esta correcção deixaria a instituição com prejuízos de quase 24 milhões no final de Setembro (em vez de lucros de 114 mil euros), mas não implicaria qualquer ajustamento nas contas de 31 de Dezembro de 2016, em que as perdas ascenderam a 86,5 milhões.

Nesta quarta-feira a Caixa Económica Montepio Geral em comunicado veio garantir que “as contas publicadas reportadas a 30 de Setembro de 2016 não reflectem nos resultados qualquer mais-valia extraordinária resultante da venda de participações sociais. Por consequência não há qualquer correcção a efectuar nas contas oficiais apresentadas pela CEMG”.

“Conforme se pode ler no comunicado oficial de anúncio dos resultados da CEMG referentes ao 3º trimestre fiscal de 2016, o lucro declarado de 144 milhões de euros assentou no crescimento da margem financeira de +10,3%, de uma redução de 8,4% dos custos operacionais”, diz a nota.

“A Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) vem por este meio desmentir cabalmente a notícia publicada hoje, no jornal Público, intitulada ‘Gestão do Montepio pressionada a divulgar correção às contas’, diz o banco.
“Cumpre, antes de mais, esclarecer que tendo a CEMG apresentado recentemente contas do 1º Trimestre de 2017, (…) os resultados do primeiro trimestre deste ano de 2017 foram apresentados e são de 11,1 milhões, representando uma melhoria de 30,9 milhões face ao período homólogo”, diz a nota.

“Os resultados do 1º trimestre de 2017 já comunicados de 11,1 milhões são suportados em factores recorrentes, designadamente no crescimento de 53,3% do Produto Bancário a par da melhoria da Margem Financeira em 35,6% e da redução dos custos operacionais de 9,3%, complementada pela redução do custo do risco em 27 pontos base.
O banco tem na agenda uma Assembleia Geral convocada para o próximo dia 25 de Maio.



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