Merkel fecha as portas da Alemanha a mais refugiados

Decisão de 2015 surpreendeu a Europa, mas a opinião pública alemã nunca gostou. Em fase de campanha para as eleições, a chanceler prometeu que não repetirá o gesto.

Quando em 2015 a chanceler alemã surpreendeu a Europa ao abrir as portas da Alemanha ao acolhimento de cerca de um milhão de refugiados da guerra e da instabilidade no Médio Oriente, os analistas afirmaram que essa receção não se repetiria. A razão era clara: a opinião pública alemã não só ficou surpreendida, como também não percebeu. E de não perceber a não apoiar, foi um pequeno passo.

Com as eleições gerais à porta, Merkel não pode voltar a assumir essa sua postura – que teve também a capacidade de influenciar uma série de outros governos da União Europeia para fazerem o mesmo – e foi isso mesmo que fez. Segundo adianta a comunicação social alemã, e frente a milhares de telespetadores do primeiro canal da televisão pública, a chanceler e candidata à sua própria sucessão defendeu o caráter excecional da decisão de 2015.

Angela Merkel afirmou que os alemães “deveriam sentir-se orgulhosos” da atuação do governo na altura, mas não parece que a vá repetir. Interrogada pelo público sobre, ’Quem é que vai proteger a Alemanha de demasiados estrangeiros nos próximos 30 anos’, Merkel respondeu que “o que aconteceu em 2015 não deverá repetir-se. Temos que antes de mais lidar com as causas da migração nesses países, ajudar as pessoas nos seus países”.

Desde que Merkel abriu as portas ao recebimento de refugiados que as críticas não pararam de a perseguir – com repercussões graves, nomeadamente ao nível das coligações locais: alguns políticos locais quiseram desvincular-se do apoio que prestavam à CDU de Merkel e cortaram laços políticos que, em alguns casos, eram bem antigos.

Alguns analistas consideram mesmo que a abertura protagonizada por Merkel foi uma das causas do crescimento que desde então se registou da importância política dos partidos de extrema-direita ligada aos movimentos nazis alemães.

Mas as críticas não vieram apenas do interior da Alemanha. Diversos responsáveis políticos dos países da União que fazem o papel da fronteira Oeste do agregado queixaram-se das repercussões negativas da decisão de Merkel. E há mesmo analistas que apontam a decisão de 2015 como um dos motivos para que os britânicos tivessem decidido deixar a União Europeia.

Seja como for, e apesar de não ser mensurável, o mais certo é que a decisão da chanceler alemã tenha poupado dezenas e dezenas de vidas – e qualquer decisão de abandonar a abertura para acomodar novos refugiados por parte dos países europeus resultará precisamente no contrário.



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