Menos endividadas e mais rentáveis: Nunca as empresas portuguesas estiveram tão capitalizadas

A autonomia financeira das empresas portuguesas atingiu 35,6% no primeiro trimestre, segundo dados do Banco de Portugal. O que significa que esta é, até o momento, a mais alta capitalização das empresas portuguesas.

Dados apresentados pelo Banco de Portugal, esta segunda-feira, relativos ao primeiro trimestre,  e mostram uma melhoria na capitalização das empresas portuguesas entre outros indicadores.

Desde 2012 que a melhoria neste indicador tem sido constante, mas este ano, a autonomia financeira das empresas portuguesas (calculada pela relação entre o capital próprio e o total ativo) fixou-se nos 35,6% no primeiro trimestre, valor que é considerado o mais elevado desde 2006, ano em que o Banco de Portugal começou a recolher estes dados.

Um dos principais problemas das empresas portuguesas, sempre foi o reduzido nível de capitalização. Porém, o reforço do nível de capitais próprios tem causado uma diminuição do peso do financiamento, aproximando-se do crédito.

Os financiamentos eram de 36,4% no total do ativo nos primeiros três meses do ano, o que representa uma melhoria de três décimas face a dezembro de 2016.

Já em 2014, o capital próprio era de 32,7% e dos financiamentos de 38,8%. A diferença entre entes dois indicadores era de mais de seis pontos percentuais e hoje é inferior a um ponto percentual.

Rentabilidade apresenta melhorias

O indicador de rentabilidade atingiu o nível mais elevado desde o segundo trimestre de 2011, ainda de acordo com informação do Banco de Portugal.

No primeiro trimestre a rentabilidade bruta do ativo (medida pela relação entre o EBITDA e o total do ativo) das empresas não financeiras situou-se em 7,1%, o que em comparação aos três meses anteriores significa uma melhoria de uma décima, enquanto no período homólogo foi de três décimas.

Na nota de informação estatística avançada hoje pelo Banco de Portugal, é mencionado que “a rendibilidade aumentou na generalidade dos sectores de atividade, com exceção da eletricidade e das empresas públicas”, nos quais diminuiu, respetivamente, 0,4 pontos percentuais (p.p) e 0,2 p.p. (para 8,2 e para 5,6 por cento)

Desde 2013, que se tem notado uma recuperação das empresas portuguesas, a nível da capitalização, em quase todos os trimestres.

O número de empresas que procuram recorrer a créditos tem vindo a diminuir, o que também é decerto importante e positivo para a análise da saúde financeira das empresas, em paralelo com a rentabilidade.

“As indústrias e o comércio continuaram a apresentar valores superiores para este rácio, 13,6 e 10,8 respetivamente, o que significa que estavam sob menores níveis de pressão financeira do que os outros setores”, refere o Banco de Portugal.

Este é o ano de maior capitalização das empresas nacionais e o custo do financiamento das empresas não financeiras estabilizou no primeiro trimestre em 3,3%.





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