Marquês e BES cruzam-se no Panamá

“Panama Papers” revelaram ligações do Grupo Espírito Santo a offshores do Panama, referenciados na “Operação Marquês”.

Se a opção do Governo liderado por José Sócrates tivesse sido prosseguida, com o acordo político assumido em 2010, o Panamá já não seria uma paraíso fiscal na legislação portuguesa quando rebentou o escândalo do “Panama Papers”. Em 2016 foi revelado um esquema de corrupção e fuga fiscal que envolve dezenas de milhares de empresas criadas no Panamá pela firma Mossack Fonseca, tendo como beneficiários clientes em todo o mundo, incluindo Portugal. Entre esses clientes estão chefes de Estado, banqueiros, criminosos, celebridades internacionais e empresas portuguesas como do GES que, segundo o jornal Expresso, escondeu, durante 21 anos, um saco azul para pagamentos extra não documentados.

Segundo este jornal, que participou na investigação dos “Panama Papers”, a ES Enterprise foi utilizada como saco azul do Grupo Espírito Santo para pagamentos extra não documentados, também consta dos “Panama Papers”.

Segundo avançou o jornal, terão passado por esta empresa do GES mais de 300 milhões de euros “para entregar dinheiro e património de forma camuflada a destinatários ainda por identificar”, recorrendo “a circuitos externos complexos fora de Portugal”.

A ES Enterprise é também uma das empresas que aparece na Operação Marquês, que investiga o ex-primeiro-ministro, José Sócrates. Segundo o Ministério Público, na origem dos 12,5 milhões de euros que o empresário luso-angolano , Hélder Bataglia, transferiu para as contas de Carlos Santos Silva na Suíça através de duas offshores (a Markwell e a Monkway), estão contas da ES Enterprises, offshore do GES com sede no Panamá. O Ministério Público acredita que se tratam de contrapartidas destinadas a Sócrates e que a ES Enterprise serviu para pagar ‘luvas’ a um conjunto diverso e alargado de responsáveis políticos e empresariais.



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