Lula da Silva, ou como o homem de esquerda só pode ser posto em causa por conspirações da direita

Lula da Silva, no Brasil, é o mais recente episódio de uma série muito vista: sempre que um homem dito de esquerda é investigado pela Justiça, por detrás dela, evidentemente, só pode estar uma conspiração "da direita".

A tese começou a fazer caminho depois da revolução soviética, há pouco mais de 100 anos. E ela diz-nos que os homens de esquerda são sempre bons, revolucionários e libertários. Quem rouba, isso sim, são apenas os maus, capitalistas, se não óbvios fascistas pelo menos perigosos direitolas. A ver se nos entendemos. Lá, Collor de Melo era notoriamente um corrupto (que o Lava Jacto de novo encontrou…), mesmo que tenha deixado a Presidência, num processo aparentado ao de Dilma, sem nunca ter sido condenado pelos tribunais; mas Lula, embora não se saiba explicar como um simples operário pudesse ter sido capaz de acumular 9 milhões de reais em dinheiro (quase 2,5 milhões de euros) mais outros 1,5 milhões em imobiliário (fora o “triplex” do processo), que lhe foram congelados, é uma vítima de um sistema judicial feito refém da direita, que não admite ver o preferido nas sondagens como novamente candidato à presidência do Brasil. Curiosamente, por cá, também José Sócrates chegou a dizer, em Julho de 2016, numa conferência de imprensa, algo semelhante: “Quiseram impedir-me de ser candidato a Presidente da República”. Exemplos destes há outros, e muitos. Resumo: a esquerda nunca tem, entre os seus, ovelhas ranhosas. Só reclama vítimas políticas.




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