Julian King: Comissão Europeia continua a ser atacada por hackers

O comissário europeu para a Segurança disse ao Jornal Económico que a instituição liderada por Jean-Claude Juncker tem uma equipa de colaboradores dedicada à cibersegurança, cuja missão passa por consciencializar outras entidades europeias.

Diarmuid Greene/Web Summit

O comissário europeu para a Segurança, Julian King, considera que este ano houve um enorme crescimento na consciencialização dos cidadãos para o cibercrime. Numa entrevista ao Jornal Económico, à margem da Web Summit, o representante da Comissão Europeia afirmou que continuam a tentar ser intercetados por piratas informáticos, mas o maior ataque aconteceu ainda em 2016, ano em que se contabilizaram pelo menos 110 tentativas de ataque aos servidores da instituição.

“Ainda não vi os números de 2017 mas sei que continuamos a ser atacados. O último grande ataque à Comissão Europeia, de que eu tenha conhecimento, foi no final do ano passado, mas continuamos a receber ataques. A NATO e o Parlamento Europeia também, muitas vezes publicam os dados sobre os ataques que têm recebido. É um desafio que todos enfrentamos”, explicou.

Julian King está em Portugal para marcar presença na cimeira tecnológica esteve reunido com membros do Governo, como a Ministra da Presidência, com quem debateu o tema. Segundo o representante da Comissão Europeia, a governante mostrou-se bastante interessada na ideia de reforçar o poder da agência europeia para o efeito.

“A Comissão Europeia tentou ajudar a que esse debate avance ao produzir, em setembro, um conjunto de propostas sobre como podemos desenvolver a nossa cibersegurança. Temos uma agência, mas queremos reforçá-la e ter uma Agência Central de Cibersegurança”, disse, sublinhando que o tema não afeta só os bancos, mas também os transportes ou hospital, por exemplo.

Para o comissário europeu, o que está a acontecer este ano é que tem havido um salto na consciência em relação à escala e à importância deste problema. As empresas privadas do setor financeiro estavam atentas, mas o comissário britânico tinha dúvidas sobre a consciência pública para este problema, e “com os grandes ataques durante este ano, com o WannaCry e Petya, houve uma grande chamada de atenção e tornou-se também uma prioridade política em muitos Estados-Membros.”

A instituição liderada por Jean-Claude Juncker tem uma equipa de colaboradores dedicada à cibersegurança, cuja missão passa também por consciencializar outras entidades europeias. De acordo com Julian King, quando estes funcionários precisam, mobilizam recursos para resolver os problemas cibernéticos e são altamente qualificados e recrutados em todos os Estados-Membros.

De forma a enfrentar o problema, Julian King espera que a partilha de informação na União Europeia continue também a crescer – depois de ter aumentado cerca de 40% num ano. A seu ver, as instituições europeias fizeram alterações práticas na estrutura e nas conexões que facilitaram o upload da informação. “Estamos a incentivar os Estados-Membros a ligar os organismos policiais às plataformas de informação partilhada”, enfatizou.

Sem se confessar contra ou a favor do voto eletrónico, Julian King lançou o debate sobre os dos pessoais que são usados para enviar mensagens publicitárias num contexto de campanha eleitoral. “Não é ilegal, mas será que já pensámos no que é que isso significa?”, perguntou, durante a entrevista ao semanário. O comissário europeu defende que tem de haver transparência ao ponto de o cidadão saber quem está a financiar essa publicidade.

Na sua perspetiva, a comunidade internacional deve lançar uma maior discussão sobre hacks, leaks, fake news. “É tudo muito complicado, mas pelo menos devemos discutir o assunto para criar consciência. Acredito que não encontrámos soluções, mas temos de levantar questões, como por exemplo como a Internet funciona nas campanhas políticas”, justificou.





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