Investigadores de Coimbra descobrem três micróbios capazes de minerar tungsténio

O tungsténio é um metal com muita importância industrial e económica à escala mundial, cuja escassez e o fornecimento a preços elevados exigem a procura de soluções para garantir um abastecimento sustentável. Das diversas aplicações possíveis, destacam-se os os filamentos de lâmpadas incandescentes,

Denis Balibouse/Reuters

Um estudo internacional, liderado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), permitiu descobrir três micróbios com elevada capacidade de minerar tungsténio, metal crítico para a indústria e para o ambiente, também conhecido por volfrâmio.

Universidade de Coimbra explica, em comunicado, que a descoberta partiu de amostras recolhidas no fundo do mar, a 600 quilómetros a sul dos Açores, em zonas de vulcões submarinos, “onde a quantidade de tungsténio é 100 vezes maior em comparação com outros ambientes”. Dos três micróbios, dois são da espécie Sulfitobacter dubius e revelaram uma “notável capacidade de tolerar e acumular tungsténio”.

A descoberta até já foi publicada na revista “Systematic and Applied Microbiology” e “representa importante para a exploração de novas estratégias biológicas para recuperar tungstênio de ambientes naturais ou antropogénicos (causados pela ação do homem) ”, afirmou Paula Morais, investigadora e coordenadora dos projetos PTW e BioCriticalMetals – financiados pelos programas Portugal 2020, Compete 2020, FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

A investigação foi iniciado há um ano, através do projeto BioCriticalMetals, que junta 28 investigadores e empresas argentinas, portuguesas e romenas ligadas ao setor mineiro, com o objetivo de “fornecer bioferramentas inovadoras, amigas do ambiente e vantajosas do ponto de vista económico e para serem utilizadas na indústria mineira, transformando os resíduos (tóxicos) em matéria-prima, numa perspetiva de economia circular”.

Depois de estudados os mecanismos genéticos dos micróbios descobertos, a próxima fase do projeto passa por “cultivar os micróbios em laboratório e desenvolver as bioferramentas que serão posteriormente testadas em ambientes diversificados, nomeadamente em minas”.

O volfrâmio é um metal com muita importância industrial e económica à escala mundial, cuja escassez e o fornecimento a preços elevados “exigem a procura de soluções”, conclui o comunicado da Universidade de Coimbra.




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