Inflação e retalho confundem contas da Fed, mas não devem impedir fim dos estímulos

O presidente da Reserva Federal de St. Louis deu sinais de que o programa de estímulos pode estar a chegar ao fim, mas os analistas divergem sobre o impacto que os dados da inflação e do retalho têm no futuro. O facto dos EUA estarem numa situação de pleno emprego poderá ser chave.

REUTERS/Kevin Lamarque

A ideia tem vindo a ganhar forma: a Reserva Federal norte-americana estará próxima de acabar com os estímulos à economia. No entanto, não é ainda consensual entre os decisores do banco central e mesmo os que estão a favor da inversão da política monetária têm de lidar de vez em quando com dados macroeconómicos que surpreendem e enfraquecem essa posição. Foi o que aconteceu na semana passada com os números da inflação e do retalho.

James Bullard, presidente da Reserva Federal de St. Louis , explicou na semana passada que a Fed poderá começar a diminuir a folha de balanços ainda este ano, mas sublinhou que há opiniões contrárias sobre o assunto dentro do banco central dos EUA. Em declarações na Austrália, Bullard disse que é preciso ainda que haja um consenso sobre o fim da política de reinvestimento, mas que o mais provável é que os ativos não sejam substituídos à medida que vão alcançando as respetivas maturidades.

Não é a primeira vez que um membro da Fed fala do assunto. Nas minutas da última reunião de política monetária da instituição, soube-se que a maioria dos participantes antecipa a continuação de aumentos graduais da federal funds rate e avalia como apropriada uma mudança na política de reinvestimento do comité ainda este ano. Os membros do FOMC defenderam, assim, uma redução da folha de balanço da Fed, mas ressalvaram que o fim da política acomodatícia deve ser feito de forma gradual para permitir a adaptação dos mercados.

Apesar disso, novos dados sobre a economia norte-americana podem confundir as contas. A inflação nos EUA voltou a desacelerar, com o índice de preços no consumidor a ficar nos 2,4% nos doze meses que terminaram em março, face aos 2,7% de fevereiro. Além da inflação, as vendas do retalho diminuíram pelo segundo mês consecutivo, tendo registado uma descida de 0,2 pontos percentuais em março, depois de uma diminuição de 0,3 pontos percentuais em fevereiro.

“Ambos os relatórios seriam argumentos que poderiam ser utilizados por alguém dove [alguém que favorece taxas baixas e estímulos] para justificar porque a Fed tem de ser mais paciente”, disse Stephen Stanley, economista-chefe da Amherst Pierpont Securities LLC, à Bloomberg. “É um desempenho de consumidor relativamente mais fraco no primeiro trimestre e a isso junta-se uma interrupção consideravelmente abrupta na tendência de aumento gradual na inflação. Se eu fosse um decisor dove, diria: “qual é o mal em aguentar mais um pouco e ver o que acontece”.

Já Michael Feroli, economista do JP Morgan em Nova York, considera que “isto não é suficiente para fazer com que a Fed se desvie do plano de continuar aumentando gradualmente a taxa de juro, embora possa encorajar uma retórica dove“, disse à agência Reuters, tendo em conta a situação de pleno emprego nos EUA.

A taxa de desemprego nos Estados Unidos caiu, em março, para o nível mais baixo em quase 10 anos. Segundo dados do Department of Labor Statistics, a taxa caiu 0,2 pontos percentuais para 4,5% em março face ao mês anterior, um nível registado pela última vez em março de 2007, e significa que a economia americana continua em pleno emprego, uma classificação atribuída a mercados com desemprego abaixo dos 5%. O número de pessoas desempregadas caiu 326 mil para 7,2 milhões no mês passado.





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