“Ignorância e incompetência”: depois do ‘fumo branco’, Coreias voltam a desentender-se

Primeiro foram as queixas do norte pela continuação dos exercícios militares entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos. Hoje, a Coreia do Norte queixou-se do protagonismo dado pelos sul-coreanos a um desertor do norte.

Há qualquer coisa no ar entre as duas coreias: depois de, já esta semana, o líder da Coreia do Norte ter ameaçado que não irá à cimeira com Donald Trum se as manobras militares entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos, ao largo da sua costas, não cessarem, esta quinta-feira o tom voltou a subir.

Desta vez, o líder das negociações que representa a Coreia do Norte, Ri Son Gwon, acusou o governo sul-coreano de “ignorância e incompetência”, para além de ter novamente criticado o país. O comunicado, difundido pela agência estatal de notícias KCNA e divulgado, entre outros, pela RTP, poderá estar a referir-se a Thae Yong Ho, antigo diplomata norte-coreano que desertou do país em 2016, e que deu uma conferência de imprensa na passada segunda-feira, na Assembleia Nacional sul-coreana, onde apresentou o livro em que conta a sua experiência com Kim Jong-un. “Impaciente, impulsivo e violento” são os termos usados para caraterizar o líder norte-coreano.

“Com esta oportunidade, as autoridades sul-coreanas provaram ser um grupo ignorante e incompetente, desprovido de noção sobre a presente situação”, dizem os norte-coreanos – para aludiram ao tempo presente, em que qualquer ação que possa promover um mal-entendido entre as duas partes deve ser evitada.

“A menos que a situação séria que levou à suspensão das conversações ao mais alto nível entre as coreias for resolvida, não deverá ser fácil sentarmo-nos frente a frente outra vez com o presente regime da Coreia do Sul”, refere ainda o comunicado.

Na quarta-feira, a Coreia do Norte alertou que poderá não marcar presença na cimeira histórica de 12 de junho em Singapura, ao lado do Presidente Donald Trump, caso os Estados Unidos continuem a exigir unilateralmente o abandono do arsenal nuclear por parte da Coreia do Norte.

Em relação àquilo que Pyongyang diz tratarem-se de “distúrbios militares provocatórios”, já não é a primeira vez que eles provocam o agudizar das desavenças entre as duas Coreias. Mas não só: mesmo durante a crise dos mísseis, tanto Pequim como Moscovo aconselharam vivamente o presidente Donald Trump a parar com os exercícios militares mesmo às portas da Coreia do Norte.

Os próximos dias serão cruciais para a comunidade internacional perceber se o clima de desanuviamento que se viveu nas últimas semanas chegou ou não abruptamente ao fim.




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