Haitong reduz pessoal para fazer face à nova realidade

Plano prevê redução dos atuais 700 funcionários a nível global, para cerca de 500. Em Portugal, a redução poderá chegar a uma meia centena de postos de trabalho. O objetivo é adaptar o antigo BESI às novas circunstâncias da banca de investimento.

O Haitong Bank (ex-BES Investimento) deu início a um processo de redução de pessoal através de rescisões amigáveis. O objetivo é passar dos atuais 700 funcionários para cerca de 500, a nível global, apurou o Jornal Económico. Em Portugal, a redução deverá afetar cerca de meia centena de trabalhadores, mas este número poderá ser superior.

A reestruturação do antigo BESI tem lugar num momento complicado para o negócio de banca de investimento em Portugal. As colocações de empresas em bolsa contam-se pelos dedos de uma mão e o tempo das grandes privatizações já lá vai. Para o Haitong, o futuro passa cada vez por alguns mercados promissores como a Polónia ou o Brasil e por fazer a ponte entre a China e o Ocidente, nas operações realizadas por grupos do Império do Meio.

As circunstâncias desafiantes são partilhadas por outras instituições, como o Caixa BI, que poderá ser integrado na casa-mãe Caixa Geral de Depósitos, no âmbito da reestruturação em curso no banco público  (ver página seguinte).

Em Portugal, o banco conta com cerca de 270 funcionários e o objetivo é reduzir para um número na ordem dos 225 a 250. O banco de investimento, que foi comprado pelo grupo chinês Haitong em 2015 e que até recentemente era liderado por José Maria Ricciardi, continuará a estar sediado em Lisboa, ao contrário do que apontavam alguns rumores que circulavam no mercado.

Ao que o Jornal Económico apurou, o Haitong está a oferecer 1,5 meses de ordenado por cada ano de serviço aos funcionários que aceitarem rescindir. No entanto, na mensagem enviada aos colaboradores, é referido que a administração se reserva ao direito de não aceitar as rescisões das pessoas consideradas essenciais à nova fase do projeto. Estas condições são mais favoráveis que as de planos semelhantes recentemente postos em prática por outros bancos portugueses, como o Novo Banco ou o BPI.

O fim da era Ricciardi?
A reestruturação representa também um corte com a era Ricciardi e com a família Espírito Santo, dado que muitos dos funcionários que estão a ser convidados a sair pertencem ou estão de alguma forma ligados ao clã.

A comissão executiva do banco de investimento é agora presidida pelo gestor japonês Hiroky Miyazato (que é também ‘chairman’), contando com Mo Yiu Poon como Chief Financial Officer (CFO), Alan Fernandes (‘Global Head’ de Structured Finance), Christian Minzolini (Senior Country Officer para França, Benelux e África) e Paulo Martins (’Global Head’ de Banca de Investimento).

Ainda não são conhecidos os resultados do ano passado, mas até ao final de setembro o banco de investimento acumulava um prejuíno de 54,2 milhões de euros, de acordo com os números que constam do balanço.
O ativo do banco de investimento ascendia a 2,5 mil milhões de euros, dos quais 454 milhões dizem respeito a crédito concedido a clientes.

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