Haitong quadruplica os prejuízos no semestre e aumenta capital em 38,5 milhões

Os prejuízos somam 79,8 milhões. O banco anunciou ainda um aumento de capital em 38,5 milhões de euros por entradas em espécie, de créditos.

O Haitong Bank, acaba de anunciar na CMVM que teve um prejuízo consolidado de 79,8 milhões de euros, um agravamento de 306,8% face a igual período do ano anterior. Diz o banco em comunicado que “este resultado foi também penalizado por imparidades no semestre no montante de 38 milhões de euros, acima dos 3 milhões de euros verificados no período homólogo de 2016”.

O produto bancário caiu num ano 45,6% para 35,9 milhões de euros, apesar da subida de 40,3% da margem financeira para 32,13 milhões de euros. As comissões caíram 8,5% para 26,2 milhões de euros. O banco teve perdas em mercados de 22,4 milhões de euros.

Os custos subiram 13,2% para 89,5 milhões, dos quais 60,7 milhões foram custos com pessoal (+23,8%). Segundo fontes ainda não estão contabilizados todos os custos de reestruturação em todas as geografias onde o banco opera.

O banco justifica que “a reorganização do modelo de negócio levou o Banco a descontinuar ou racionalizar actividades comerciais não lucrativas, assim como a reorganizar as restantes actividades no sentido de melhorar a sua eficiência e ajustá-las ao novo posicionamento estratégico”, diz o comunicado.
“Neste sentido, o Banco iniciou um processo de restruturação que incluiu uma redução de colaboradores
sobretudo em Portugal, Espanha, Brasil e Reino Unido, com o objectivo de ajustar a dimensão e o perfil do novo negócio. A parte mais relevante da reestruturação já foi concluída mas durante os próximos meses o Banco irá prosseguir com a implementação de algumas iniciativas de reorganização e optimização dos custos administrativos”, acrescenta o documento publicado da CMVM.

O banco de investimento que ainda não enviou a lista de órgãos sociais ao regulador bancário para o processo de avaliação e adequação, apesar de terem passado oito meses desde o fim do mandato dos atuais administradores, diz que “os recursos de balanço do Banco mantiveram-se limitados durante o primeiro semestre de 2017 e não permitiram apoiar novos negócios com os clientes”.

“A capacidade de investir em novos activos com rendimentos de rentabilidade mais elevada e de gerar comissões através do cross-selling com operações de assessoria e mercado de capitais revelou-se bastante restrita durante o período em análise. O total de activo atingiu 4,0 mil milhões de euros no final de Junho, representando uma descida homóloga de 15%, resultante sobretudo da redução da carteira de títulos”, refere o comunicado.

Banco de Portugal exige novo aumento de capital

O Banco informou ainda que aumentou o seu capital social em  38.500.000,00 euros (38,5 milhões de euros), por entradas em espécie, de créditos. Este aumento de capital terá sido por exigência do Banco de Portugal, soube o Jornal Económico. Depois deste aumento de capital os rácios de capital foram substancialmente reforçados. Os rácio Fundos Próprios de Nível 1 (CET1) está nos 18,3% (phased-in) e 17,7% (fully loaded). “A adequação de capital do Haitong Bank foi substancialmente reforçada durante o primeiro semestre de 2017”, diz o banco de investimento em comunicado.

Em consequência da conversão de créditos em capital, “o capital social do Banco passou a 844.769.000,00 euros (844,8 milhões de euros), representado por 168.953.800,00 acções ordinárias com o valor nominal de 5,00 euros cada, tendo os respectivos Estatutos sido alterados em conformidade”, diz o banco liderado por Hiroki Miyazato.

“O capital aumentado foi subscrito e realizado na totalidade pela accionista controladora do Banco, a Haitong International Holdings Limited, sociedade constituída em Hong Kong, subsidiária da Haitong Securities Co., Ltd. (uma sociedade cujas acções se encontram admitidas à negociação nas bolsas de Shanghai e de Hong Kong)”, descreve o comunicado.

Recorde-se que no dia 2 de Agosto de 2017, a agência de rating S&P reviu o outlook dos ratings do Haitong Bank de Estável para Negativo, reafirmando as notações de crédito de contraparte de longo e curto prazo em ‘BB-‘ e ‘B’, respectivamente.

A perspetiva negativa (outlook) negativa reflecte a perspectiva da S&P de poder vir a baixar os ratings
actualmente atribuídos caso a Administração não consiga obter resultados tangíveis e sustentáveis
resultantes do reposicionamento do modelo de negócio do Banco nem melhorar seu perfil financeiro.

O ex-BESI ainda não enviou a lista de órgãos sociais ao Banco de Portugal, soube o Jornal Económico, mas o regulador já conhece a escolha do Haitong para a presidência executiva. Trata-se de Hu Min, de 41 anos, especialista em mercados financeiros.

Lin Yong foi escolhido para ocupar a presidência não executiva do Haitong Bank, antigo BES Investimento.

O mandato dos atuais administradores acabou em dezembro do ano passado e desde então que o regulador aguarda a lista de novos órgãos sociais. António Domingues, ex- CGD e ex-BPI, foi convidado para administrador não executivo.

(atualizada)



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