Golfe quer aumentar número de jogadores em 23% até 2018

Para cumprir estes objetivos, está a ser concretizado um plano estratégico para o desenvolvimento do golfe em Portugal nos próximos anos.

A Federação Portuguesa de Golfe (FPG) quer aumentar o número de jogadores em 23% até 2020, em comparação com o ano passado, para 18.000, e quase triplicar, até 2028, para chegar aos 50.000 praticantes federados.

Para cumprir estes objetivos, está a ser concretizado um plano estratégico para o desenvolvimento do golfe em Portugal nos próximos anos, “que engloba áreas como a formação de agentes, alta competição e seleções nacionais, golfe profissional, o Centro Nacional de Formação de Golfe do Jamor, o marketing e comunicação e o fomento e desenvolvimento da modalidade”, explicou ao Jornal Económico o presidente da FPG.

Miguel Franco de Sousa diz que as perspetivas de evolução da modalidade são “muito animadoras”, mas afirma-se consciente do trabalho que há a fazer. “Primeiro, temos de fazer um trabalho de base, tal como as fundações para a construção de uma casa”, diz, mas sublinha optimismo com dados de crescimento: “À data de hoje, comparativamente com o período homologo, tivemos um crescimento de 5,9% [no número de jogadores federados]. A registar-se este aumento no final do ano, atingiremos, já em 2017, os números previstos para 2018”.

Em 2016, havia 14.600 jogadores filiados na FPG e cerca de 30.000 pessoas a jogar golfe de forma informal.

“Além disso”, aponta Franco de Sousa, “a maioria dos inquéritos que têm sido feitos ao golfe, tanto a nível nacional, como internacional, indicam que os campos e clubes esperam uma performance melhor do que no ano de 2016”.

O golfe reclama a responsabilidade por cerca de 20% dos turistas que visitam Portugal. “São cerca de 400 mil pessoas que visitam o nosso país todos os anos só para jogar golfe e cujo consumo, apenas no campo de golfe, ronda os 65 euros diários, excluindo o alojamento, restauração e rent-a-car”, o que representará cerca de 20% das receitas do turismo em Portugal, refere o presidente da FPG.

“Das duas milhões de voltas de golfe jogadas em Portugal, 80% são jogadas por jogadores estrangeiros”, diz.

A ambição é, porém, continuar a crescer num mercado global que tem cerca de 80 milhões de jogadores, “com um poder de compra acima da média e que, por tradição, gostam de experienciar novos países, ambientes e campos de golfe”.

De acordo com a International Association of Golf Tour Operators, o turismo de golfe vale 2.000 milhões de euros e Portugal tem estado bem cotado, tendo sido considerado pela terceira vez o melhor destino de golfe do mundo pelos World Golf Awards.

Para o golfe crescer, Miguel Franco de Sousa identifica um estrangulamento: o IVA.

“É importante acautelar a sustentabilidade dos campos de golfe, que foram seriamente afetados pelo aumento do IVA de 6% para 23%, colocando-nos em sexto lugar no ranking do IVA, aplicado a infraestruturas desportivas em 28 países com oferta de golfe”, afirma.

“Todos os nossos principais concorrentes têm um regime de IVA inferior ao português”, sublinha, acrescentando que esta situação teve como consequência uma redução do emprego direto e uma situação financeira “muito frágil por parte de muitos operadores nacionais”.

Para mostrar a situação contrária, Franco de Sousa dá o exemplo da Holanda. “Em 2005, o governo holandês decidiu reduzir o IVA de 19% para 6% e os efeitos foram muito significativos – a Holanda tornou-se numa dos países europeus com mais jogadores, cerca de 340.000, a taxa de ocupação dos campos de golfe aumentou cerca de 30% e, como consequência, o número de postos de trabalho aumentou em cerca de 50%”, diz.

Atualmente, diz, “todos os nossos principais concorrentes têm um regime de IVA inferior ao português”.

Em Portugal, a FPG está a investir na componente desportiva e recuperou o Open de Portugal, que não se realizava desde 2010, “quando, por motivos financeiros, o Turismo do Estoril decidiu não apoiar mais o evento”, explica Miguel Franco de Sousa.

Este “importante ativo da FPG e do golfe nacional” foi reativado pela união das vontades da própria FPG, da NAU Hotels & Resorts e da associação de profissionais de golfe PGA de Portugal. A estes juntou-se o European Tour e “um conjunto de parceiros privados e públicos que permitiu reunir o financiamento necessário à sua organização”, que é de cerca de 750 mil euros.

“É um projeto a três anos que tem como objetivo retomar este grande evento de golfe e é nesse sentido que os três promotores estão a trabalhar. Infelizmente é difícil planear a mais do que um ano porque a maioria das entidades não se compromete a medio prazo.

Com uma parceria com a RTP, a FPG pretende expor Portugal através de 2.500 horas de televisão em 40 canais de cerca de 150 países e a aproximadamente 450 milhões de lares.

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