Goldman Sachs e JP Morgan lideram investimento nas Fintech

Wall Street assiste a um novo fenómeno: O investimento em fintechs. O Goldman Sachs e o JP Morgan estão entre os bancos que mais investem nestas startups do setor financeiro, avança a Bloomberg,

O Goldman Sachs Group Inc. e o JPMorgan Chase & Co. lideram, entre os grandes bancos, os que mais investem em fintechs, um papel tipicamente dominado por empresas de capital de risco, de acordo com um relatório da Opimas.

Os Bancos e instituições financeiras já investiram em 44 fintechs este ano, com a Goldman Sachs e o JP Morgan Chase entre “os mais agressivos na frente de investimento”. O primeiro fez investimentos em 15 fintechs, diz a Opimas, enquanto o JP Morgan fez  investimentos em nove, avança a Bloomberg.

No total, os bancos e outras empresas estabelecidas nos Estados Unidos provavelmente injetarão um recorde de 1,7 mil milhões de dólares no setor através de 83 negócios em 2017, diz a Bloomberg que cita o relatório da Opimas, baseado em números da CB Insights. “Isso pode transformar os adversários em aliados”, diz a Bloomberg.

Ainda assim para os bancos, o dinheiro que investem em empresas de fintech, numa lógica de venture capital, ainda é uma fatia muito pequena dos seus orçamentos para o investimento em tecnologia para este ano, e que tem como foco áreas como gestão da execução, processamento de transações pós-negociação e análises.

A consultora prevê que em 2017 o investimento em tecnologia pelos bancos exceda os 127 mil milhões de dólares.

As fintech surgiram com a popularização dos smartphones e a digitalização da indústria e dos serviços. Elas são a vertente financeira da revolução digital que obrigou empresas de vários setores a revolucionar a indústria e os serviços

Trata-se de uma nova forma de fazer negócios, e foi impulsionada pela geração habituada a trabalhar com a internet desde os anos 80, elimina intermediários, promove a comparação exaustiva de produtos e preços, e valoriza a interação com os consumidores. É nesse ambiente que sites e aplicações criados por jovens recém-saídos das universidades fazem agora operações que, até pouco tempo, eram exclusividade das agências bancárias e de outros canais de atendimento das instituições financeiras: pagamentos de contas, renegociação de dívidas, transferência de valores e contratações de seguros, etc.

As chamadas fintechsstartups de tecnologia do setor financeiro, têm desafiado as empresas tradicionais do setor.

Com estrutura simplificada e sem a pressão de reguladores e do compliance das grandes empresas, essas startups conseguem entregar com rapidez e transparência serviços tradicionalmente da banca, como aprovar um empréstimo (não podem fazer empréstimos se não estiverem associadas a uma instituição financeira), fazer um seguro ou escolher um investimento.

As fintech permitem ter empréstimos feitos por organizações que não têm depósitos; serviços sem agências bancárias, seguros vendidos sem corretores, investimentos sem gestores de ativos, planeamento financeiro sem diretores financeiros, transações sem traders, fusões e aquisições sem advisors, etc, segundo têm dito os consultores por exemplo da Deloitte.

Até agora os investidores em fintechs eram essencialmente fundos de venture capital, mas os bancos estão a entrar em força neste setor.

Os investimentos nas fintechs são tão expressivos que alguns críticos questionam se não estamos prestes a ver o estoiro de uma bolha fintech, como ocorreu com as empresas dotcom em 2000.

Há quem diga no mercado que a revolução fintech vai acabar mal para a maioria das startups do setor. Isso porque as empresas que fazem empréstimos online, por exemplo, tendem a ficar com os piores clientes.

Em Portugal o Banco de Portugal já manifestou a sua preocupação com as fintech.  O administrador do BdP, Hélder Rosalino, deu nota da criação de um grupo de reflexão interno, multidisciplinar, com o objetivo de estudar a evolução da banca digital e das FinTech (Financial Technologies) e de perspetivar, no horizonte 2020, os desafios que se lhe apresentam no contexto alargado da sua missão.

Segundo o administrador do BdP, nos últimos tempos, temos assistido “a mudanças muito significativas no setor dos serviços financeiros, induzidas por constantes transformações no domínio das tecnologias de informação. Todavia, as mudanças que se perspetivam que possam vir a acontecer até 2020 não terão precedentes”.

Os efeitos da banca digital já estão a alterar a relação entre os bancos e os seus clientes. “Como era esperado, cada vez menos pessoas se deslocam às agências. Este fenómeno será reforçado ao longo dos próximos anos, pois as gerações mais novas têm maior apetência pela utilização de novas tecnologias. Assim, não é surpreendente que esteja a ocorrer uma diminuição da dimensão física dos bancos, tanto em número de balcões como de colaboradores. No conjunto dos países da União Europeia (UE) verificou-se uma redução de cerca de 40 mil agências (para 188 mil) nos últimos cinco anos. No caso do número de colaboradores, essa redução rondou os 250 mil (para 2,8 milhões)”, diz o Banco de Portugal. O processo está longe de estar terminado. Com efeito, têm sido anunciados pela generalidade dos bancos novos e expressivos ajustamentos para os próximos anos.

O grau de incerteza é significativamente alto nas FinTech. Muitas destas novas ofertas de serviços foram desenvolvidas fora do sistema bancário por startups e cobrem áreas diversificadas, como os sistemas de pagamentos, operações de crédito e gestão financeira, alertou o BdP.

As FinTech assumem, no presente, “um papel ativo no incremento da experiência digital e na inovação financeira, delineando muitas das soluções tecnológicas que suportam o funcionamento do mercado financeiro digital. Estão em crescimento e vieram para mudar o ecossistema financeiro. Entraram nos mercados e estão a competir e também a cooperar com os bancos, pelo menos em algumas partes da cadeia de valor”, explicou o regulador português.



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