Pressionados pela subida dos juros, EUA lançam 99 mil milhões em dívida no mercado

A procura vai ser determinada pela postura dos investidores, ou seja, se são atraídos pelas yields elevadas ou se ficarão reticentes em comprar dívida numa altura de fraqueza.

REUTERS/Lucas Jackson

Na mesma altura em que os juros da dívida norte-americana negoceiam em máximos de vários anos, o Tesouro dos EUA vai levar a leilão um total de 99 mil milhões de dólares em dívida de curto prazo, ao longo da semana. Com o mercado de dívida pressionado pela política monetária e pelo défice no país, o ponto de inversão poderá estar próximo.

A subida das yields da dívida norte-americana, que “vai por fim a um mercado secularmente otimista”, segundo afirmou o estrategista e trader de dívida independente, Marty Mitchell, à agência Bloomberg. “Com a expetativa que o défice dos EUA exploda e o monte de dívida norte-americana a amontar, é apenas uma questão de tempo”.

A tendência começou na semana passada, com os juros a dois anos desde 2008 e das Treasuries a 10 anos em máximos de sete anos. Os máximos aliviaram esta segunda-feira e as yields terminaram o dia nos 3,054% e 2,565%, respetivamente. No entanto, a altura continua a ser crítica para o Tesouro dos EUA inundar o mercado com dívida.

O destaque vai para os 33 mil milhões de dólares a dois anos que vão ser emitidos esta terça-feira, 36 mil milhões a cinco anos, na quarta-feira, e 30 mil milhões a sete anos, na quinta-feira. Entre outras emissões de títulos com menos de um ano, o total ascende a 99 mil milhões.

A procura vai ser determinada pela postura dos investidores, ou seja, se são atraídos pelas yields elevadas ou se ficarão reticentes em comprar dívida numa altura de fraqueza.

O principal fator para nervosismo é a expetativa que a Reserva Federal (Fed) altera o caminho e aumente as taxas de referência mais três vezes este ano (face à atual estimativa de duas subidas adicionais), sendo que a divulgação das minutas da última reunião de política monetária, na quarta-feira, poderão adicionar stress ao mercado. Também as preocupações sobre o défice e as crescentes necessidades de financiamento do governo estão a pesar sobre os títulos.

“Penso que vai ser realmente um braço de ferro entre os investidores que pensam que as taxas continuarão a subir mais e aqueles que entrarão num leilão para dizer que gostam das taxas onde estão”, disse Gennadiy Goldberg, estrategista de taxas de juros da TD Securities, à Reuters.






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