Escrever sem mãos e sem falar? Esta tecnologia vai ler-lhe a mente

Através do estudo das ondas cerebrais que se registam quando pensamos em sílabas antes de falar, conseguiram criar um padrão e identificar sílabas com 60% de precisão.

Liderados por Tsuneo Nitta, um grupo de cientistas japoneses da Universidade de Tecnologia de Toyohashi e da Universidade de Ciência de Tóquio desenvolveram uma tecnologia capaz de reconhecer dígitos e sílabas utilizando a medição eletroencefalográfica das diferentes ondas cerebrais produzidas. Os cientistas declaram ter conseguido uma eficácia de reconhecimento de 90% nos dígitos e de 60% no reconhecimento de 18 tipos de monossílabos japoneses, o que demonstra a possibilidade do desenvolvimento de um aparelho computorizado que permita utilizar a medição das ondas cerebrais para escrever. Os seres humanos são capazes de compreender frases com uma cadência de reconhecimento de 80%.

Nitta e o seu grupo de cientistas pretendem desenvolver essa Interface Cérebro-Computador, que deverá reconhecer palavras sem ser preciso dizê-las, utilizando o que apelidam de “escrita por imagens de voz”. O grupo acredita ser possível construir, no espaço de cinco anos, um aparelho com menos elétrodos, que seja facilmente conectável a um smartphone.  Este aparelho facilitaria a comunicação de pessoas com problemas de saúde como a miastenia grave, uma doença crónica que causa debilidade e fraqueza muscular. No entanto, há ainda que aumentar a fiabilidade do reconhecimento, bem como ultrapassar as variações das ondas cerebrais produzidas por cada indivíduo.

Recorde-se que, até agora, a descodificação dos sinais eletroencefalográficos para texto escrito tinha como principal obstáculo a recolha de dados que permitissem a utilização de algoritmos de deep learnig ou outras formas de inteligência artificial. A grande inovação desta tecnologia é o método de interação da máquina com os dados, o que permite uma melhor performance com uma base de dados limitada. Para tal, a nova tecnologia baseia-se no reconhecimento holístico de padrões utilizando a teoria matemática das Categorias, ou mapeamento composto.



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