Eleições francesas: abstenção em alta

Com o fantasma da vitória da abstenção há uma semana, os franceses parecem não ter arranjado bons motivos para irem votar durante o dia de hoje.

Fabrizio Bensch/REUTERS

Tal como sucedeu na primeira volta das eleições legislativas francesas, há uma semana, os eleitores gauleses estão a primar pela abstenção: há duas horas atrás, apenas 17,75% dos votantes tinha exercido o direito de voto – o que compara com os 21,41% das eleições de 2012. As abstenções ‘ganharam’ a primeira volta, com um resultado recorde de 51,29% – com todos os partidos a passarem a semana seguinte a apelarem à participação.

Pelos vistos, o apelo não terá sido ouvido, que poderá ajudar, segundo os analistas, à formação de um parlamento muito pouco diversificado. O presidente Emmanuel Macron e os dirigentes do Republicains En Marche serão os menos preocupados com a matéria, dado que isso abre-lhes as portas a uma maioria absoluta muito significativa.

Durante a semana, os analistas confirmaram a evidência: a hegemonia que Macron parece ter imposto à vida política francesa é propícia a que a abstenção seja muito elevada. Resta saber que tipo de leitura política pode resultar dessa abstenção – mas a verdade é que, para um presidente eleito há pouco mais de um mês num ambiente de algum dramatismo, é muito difícil à oposição alegar qualquer falta de legitimidade se se der o caso de a abstenção voltar a ganhar.

Para todos os efeitos, as sondagens continuam, para já, a impor-se: Macron parece assegurar uma maioria absoluta – de que muito precisará para impor a sua agenda interna – num ambiente em que o Partido Socialista francês praticamente desapareceu. A oposição gaullista, concentrada no partido de Sarkozy e Fillon também deve descer, o mesmo acontecendo à esquerda que apoia Jean-Luc Mélenchon. A extrema-direita de Marine Le Pen também não terá vida fácil para fazer eleger um grupo parlamentar digno desse nome.

A partir de amanhã, Macron terá pela frente uma agenda interna difícil, nomeadamente no que tem a ver com as alterações às leis do Trabalho – um dos piores dossiers geridos pelo anterior presidente, François Hollande, que muito terá contribuído para convencer o socialista a não voltar a candidatar-se ao lugar que ocupou durante cinco anos.

Neste particular, a vida de Macron poderá não ser muito mais fácil: os sindicatos estão atentos e pode ser no seu seio que se ‘esconde’ a verdadeira oposição ao novo presidente. Ao tempo de Hollande, a questão das leis do Trabalho trouxeram os franceses para a rua, em manifestações que por diversas vezes acabaram com assinalável violência. E nada indica que isso mesmo não possa voltar a acontecer.



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