E se houver petróleo no Alentejo? “Pode não ser bom negócio”, revela especialista

"Hoje há demasiado petróleo disponível, desde que os americanos começaram a explorar o 'shale' [oil] e os grandes produtores lutam hoje para colocar o seu produto". especialista em geopolítica do petróleo revela ainda que "a dificuldade é hoje a quem entregar [vender]".

O especialista em geopolítica do petróleo José Caleia Rodrigues defende que “o contexto não é favorável a novas produções”, por haver “petróleo a mais disponível no mundo”, quando questionado sobre a pesquisa de petróleo no Alentejo.

Em declarações à Lusa, Caleia Rodrigues afirma que “hoje há demasiado petróleo disponível, desde que os americanos começaram a explorar o ‘shale’ [oil] e os grandes produtores lutam hoje para colocar o seu produto”, realçando que “a dificuldade é hoje a quem entregar [vender]”.

“Os sauditas entregavam aos americanos, mas em dez anos os americanos passaram a importar um terço do que importavam da Arábia Saudita e os sauditas viraram-se para Oriente. Porém, os russos estão a abastecer a China em petróleo e muito rapidamente vão abastecer também em gás”, explicou.

Questionado sobre a possibilidade de o consórcio liderado pela Eni, e que integra a Galp, avançar com a prospeção de petróleo na costa alentejana até ao final do ano, o especialista disse que “pode não ser bom negócio estar agora a entrar numa exploração sem ter onde entregar [o petróleo]”.

José Caleia Rodrigues deu hoje a conferência “Nova Guerra Fria”, promovida pela Associação Amizade Portugal/EUA, em Lisboa, na qual defendeu que o mundo se encontra perante o despontar de uma nova Guerra Fria em que “quem controla os recursos, controla o mundo”.

“O contexto não é favorável a novas produções. Além que há uma dificuldade técnica no meio disso que é o transporte do petróleo bruto: se for por terra, tem todo o risco de perfurações e derrames, e, se for por mar, custa uma fortuna”, acrescentou.

Segundo a última edição do Expresso, os estudos do consórcio (a petrolífera italiana Eni e a portuguesa Galp) indicam que a região pode ter recursos equivalentes de 11 a 17 anos de consumo nacional.




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