É possível conseguir mais igualdade no desporto?

Esta questão não é relevante apenas no futebol. Medidas como a implementação de um teto salarial ou imposto de luxo são eficazes, mas devem ser acompanhadas de outras mudanças estruturais.

Ken Blaze-USA TODAY

Existe igualdade no desporto? Na Europa, os números dizem que essa é uma missão complicada. No futebol, enquanto clubes como o Manchester United ou o Real Madrid, conseguem mais de 600 milhões de euros em receita com ingressos, o Borussia Dortmund e Atlético de Madrid faturam entre 200 e 300 milhões de euros. Com um encaixe deste tamanho, é mais fácil agarrar jogadores com altos salários. Este é um exemplo da disparidade de recursos, e portanto, de talento nas equipas, explica o Expansión.

Nos Estados Unidos, historicamente o campeão do mercado livre, as principais competições nacionais estão sujeitas a várias limitações de despesa para evitar que equipas de grandes mercados como Nova Iorque, Los Angeles ou Chicago, desfrutem de uma vantagem esmagadora sobre equipas menores como Oklahoma.

As equipas de menor dimensão utilizam duas ferramentas para se equilibrarem. A primeira é o teto salarial, que é calculado com base nos negócios televisivos, venda de bilhetes e merchandising. Tanto a National Football League (NFL) (tem um teto salarial de 167 milhões de euros) como a National Hockey League (NHL) (75 milhões de dólares) aplicam o limite máximo de despesa, de modo que nenhuma equipa pode ultrapassá-lo. A outra medida é o imposto de luxo, utilizada pela Major League Baseball (MLB). A liga aplica um imposto às equipas que excederem o limite de gastos, que está previsto ser de 197 milhões de dólares para 2018.

A NBA foi a primeira liga a introduzir o teto salarial, em 1984, e utiliza as duas ferramentas descritas acima.

A verdade é que a imitação deste esquema iria apresentar várias dificuldades no Velho Continente. O limite salarial teria de ser introduzido a nível continental, e não nacional. O jornal espanhol dá o seguinte exemplo: se Espanha implementasse este fator na La Liga, sofreria uma perda de atletas para a Premier League, Bundesliga, Ligue 1 ou Seria A.

Neste momento, a possibilidade do desporto na Europa, e particularmente o futebol, ficar mais perto do modelo americano parece complicado. O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin reconheceu no final de junho que a introdução de um teto salarial teria de ser estudado no futuro de forma muito séria. O esloveno também admitiu que a implementação desta medida seria um desafio. “A introdução de um teto salarial forçaria os clubes a ser mais racionais. Vai ser uma grande batalha e vencer isso representaria, na minha opinião, uma mudança histórica.”

A única regulação de peso na questão financeira que existe na Europa é o Financial Fair Play, que mais do que promover a igualdade, tenta evitar que os gastos dos clubes possam tornar-se demasiado desequilibrados, pondo em perigo a sua viabilidade.

Limitar os gastos é um assunto que a maioria das competições tem debatido. Na Fórmula 1, por exemplo, é uma ideia que a Liberty Media – patrão da competição – também está a considerar, embora a sua aplicação parece improvável. Basicamente porque, como disse Marc Gené (ex-piloto) recentemente, controlar equipas grandes é missão impossível. “A introdução de tetos salariais foi tentada há alguns anos. Defendeu-se a introdução de um limite de 200 milhões de dólares, ao qual não chegariam as equipas mais pequenas, mas evitaria grandes diferenças com as maiores, mas não funcionou. É fácil auditar equipas como a Sauber ou a Force India, mas não é fácil fazê-lo com a Mercedes e Ferrari”.

No ciclismo, este tema está a começar a ter mais destaque na agenda deste desporto, em parte devido ao domínio da Sky Team, que, com cerca de 35 milhões de dólares pode pagar a ciclistas de luxo, para fazer companhia a Chris Froome e neutralizar os ataques dos rivais.

Enquanto isso, o resto das formações que lutam para as grandes voltas são mantidas com cerca de 15 e 25 milhões de dólares.

 





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