Dívidas ocultas de Moçambique reveladas no final do mês

O representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Moçambique, Ari Aisen, disse hoje esperar a divulgação de um resumo da auditoria às dívidas ocultas até ao final do mês.

Ari Aisen numa nota escrita enviada à Lusa, referiu que “a entrega do relatório de auditoria internacional forense à Ematum, Proindicus e MAM à Procuradoria-Geral da República de Moçambique é bem-vinda. Esperamos a publicação de um resumo do relatório até ao final do mês e, no devido tempo, do relatório completo”.

A nota do representante do FMI foi distribuída poucas horas depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique ter anunciado que a consultora Kroll já lhe tinha entregado o relatório da auditoria.

A Kroll Associates UK “procedeu no final do dia 12 de maio”, sexta-feira, à entrega “do respetivo relatório”, explicou a PGR em comunicado.

O documento foi entregue seis meses depois de a consultora ter sido escolhida para as averiguações e depois de a conclusão ter sido adiada por três vezes, a pedido da empresa, por ser necessário mais tempo para apurar os factos.

“A Procuradoria-Geral da República vai, de ora em diante, proceder à verificação e análise do relatório, com vista a aferir da sua conformidade com os termos de referência”, acrescentou aquele órgão.

O comunicado refere ainda que “finda a análise, a PGR irá, o mais breve possível, partilhar com o público os resultados da auditoria, com salvaguarda do segredo de justiça, uma vez que o processo, em sede do qual, a auditoria foi solicitada, ainda se encontra em instrução preparatória”.

Fontes que acompanham o processo disseram na sexta-feira à Lusa que um sumário do relatório deve ser dado a conhecer até final do mês.

A consultora Kroll foi escolhida em novembro de 2016 pela Procuradoria para averiguar “a existência de infrações de natureza criminal, entre outras, no processo de constituição, financiamento e funcionamento das empresas Proindicus, Ematum – Empresa Moçambicana de Atum e MAM – Mozambique Asset Management”.

Em causa está o destino de cerca de 2,2 mil milhões de dólares de dívidas contraídas entre 2013 e 2014 pelas três empresas estatais junto de bancos estrangeiros com garantias do Governo que não foram aprovadas no parlamento nem inscritas nas contas públicas.



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