Diretora da Amnistia Internacional diz que de Guterres “ainda não viram qualquer ação”

A diretora da Amnistia Internacional disse à Lusa que é "sempre muito difícil fazer uma apreciação dos 100 primeiros dias", mas disse que existe na ONU uma expectativa "de que Guterres faça imensas coisas, porque vem da agência para os refugiados".

Denis Balibouse/Reuters

Os 100 primeiros dias de António Guterres à frente das Nações Unidas ficam marcados pela “completa inação” no conflito do Iémen e pouca assertividade na questão dos colonatos israelitas em Gaza, na análise de uma alta responsável da Amnistia Internacional, avança a Lusa.

Sherine Tadros também se mostrou “desapontada” com a ação o secretário-geral da ONU na questão dos colonatos israelitas em Gaza, nomeadamente quanto à resolução 2334, adotada pelo Conselho de Segurança da ONU no final do ano passado e que condena a ação israelita. “Em vez de apresentar um relatório escrito sobre a falta de aplicação da resolução por parte de Israel, o Secretário-Geral mandou um dos seus enviados fazer um `update` oral – sem nada escrito – aos membros do Conselho de Segurança”, criticou Sherine Tadros. O que mostra “que não usou na totalidade os poderes que lhe foram dados pela resolução para trazer Israel à responsabilidade”,diz

Sobre a questão da Síria, Tadros considera que “mais uma vez vimos Guterres a dizer todas as coisas certas e a exigir moderação”, avança a Lusa citada pela RTP. “Mas ainda está por ver como é que ele poderá ajudar a unir o Conselho de Segurança. Esta é a guerra que define [a futura prevenção de conflitos]. Tem de haver ação, se não num cessar-fogo, pelo menos na questão dos refugiados”, disse.

“Entramos no reino em que a Amnistia Internacional já mostra preocupação. Uma das principais áreas, para nós, é o conflito do Iémen. Guterres disse que este é um dos principais temas que iria atacar e ouvimos coisas muito positivas sobre a forma como gosta de se envolver pessoalmente na mediação. No entanto, não vimos nada”, disse à Lusa a diretora do gabinete da Amnistia Internacional junto das Nações Unidas, em Nova Iorque. “Não vimos qualquer ação, quaisquer esforços tangíveis. Apesar das viagens que ele fez à região há uns meses, logo no início do seu mandato”, realçou Sherine Tadros.

A diretora da Amnistia Internacional disse ainda que é “sempre muito difícil fazer uma apreciação dos 100 primeiros dias”, mas disse que existe na ONU uma expectativa “de que Guterres faça imensas coisas, porque vem da agência para os refugiados”.

Por outro lado, diz que a Amnistia considera “muito positivo” o envolvimento de Guterres com a sociedade civil – destacou, sobretudo, “o compromisso de Guterres quanto à igualdade de género”.



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