Crise na Venezuela esgota reservas internacionais

"O estado das reservas internacionais e o desperdício com câmbios na Venezuela é uma das histórias mais tristes da história económica moderna", diz economista venezuelano.

As reservas internacionais da Venezuela caíram abaixo dos 10 mil milhões de dólares (cerca de 8,76 mil milhões de euros) pela primeira vez em 15 anos, uma vez que a má gestão crónica, a corrupção e os preços do petróleo continuam influenciar negativamente o país que costumava ser o mais rico da América do Sul, diz o Financial Times.

As reservas representam agora 9.983 mil milhões de dólares (8,74 mil milhões de euros), segundo dados publicados na sexta-feira no banco central, representando uma queda de 77% desde janeiro de 2009, quando atingiram um pico de 43 mil milhões de dólares (sensivelmente 37 mil milhões de euros).

A queda ocorre no momento de maior tensão política. No domingo, os venezuelanos vão votar num referendo sobre o plano de Nicolás Maduro em criar uma “assembleia constituinte”.

A votação foi organizada pela oposição, e não é vinculativa, mas dará indícios sobre os pontos de vista dos venezuelanos. Os cidadãos vão ser confrontados com perguntas relativamente ao papel das forças armadas e a opinião acerca das eleições livres.

De acordo com o site de sondagem mais respeitado do país – o Datanalisis – 67% das pessoas opõem-se à assembleia, que teria poderes para dissolver o Congresso, e reescrever as leis da constituição.

O país também está preso a uma batalha legal entre o Supremo Tribunal, que está repleto de apoiantes de Maduro, e a procuradora geral, Luisa Ortega, que emergiu como uma das suas críticas mais importantes.

A queda nas reservas vai provavelmente reavivar os receios de que a Venezuela pode não conseguir cumprir as suas obrigações de pagamento de dívida este ano. O estado e a empresa petrolífera PDVSA devem fazer reembolsos de capital e juros na ordem dos 3,7 mil milhões de dólares no último trimestre deste ano.

“O estado das reservas internacionais e o desperdício com câmbios na Venezuela é uma das histórias mais tristes da história económica moderna”, disse Javier Hernández, economista da Universidad Central de Venezuela em Caraca, citado pelo FT.