Crimes de corrupção abalam Governo de Netanyahu. E agora, o que se segue?

As autoridades israelitas emitiram um comunicado, após dois anos de inquérito, em que recomendam que seja instaurado um processo judicial contra o primeiro-ministro israelita. Saiba o que está em causa.

Ronen Zvulun /Reuters

Quais são as acusações que são imputadas a Benjamin Netanyahu?

A justiça israelita acusa o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de dois crimes de corrupção. As conclusões de um inquérito realizado ao longo de dois anos indicam que “existem provas suficientes contra o primeiro-ministro para acusá-lo de receber subornos, fraude e abuso de confiança”.

Numa primeira investigação ao líder israelita, as autoridades concluíram que Benjamin Netanyahu e a mulher terão recebido subornos de vários empresários, incluindo do produtor de Hollywood Arnon Milchen e do empresário australiano James Packer, anteriormente casado com a cantora Mariah Carey. O inquérito ao “caso 1.000”, como foi designado, sugere que estes subornos consistiam em charutos, joalharia e outros bens no valor de aproximadamente 100 mil dólares, em troca da obtenção de vistos e isenção de impostos.

Já na segunda investigação, o “caso 2.000”, Benjamin Netanyahu é acusado de ter favorecido o dono do jornal israelita Yedioth Ahronoth, em relação à concorrência. Em troca, o jornal escrevia apenas notícias positivas em relação ao Governo por si liderado.

Qual a reação do líder israelita ao caso?

Benjamin Netanyahu desvaloriza as acusações e diz que vai continuar “liderar Israel de forma responsável”, afastando qualquer hipótese de demissão. O líder israelita sugere ainda que as acusações não têm qualquer fundamento e “vão acabar em nada”.

“Ao longo dos anos, tenho sido objeto de pelo menos 15 investigações e investigações”, afirmou ao povo israelita, num discurso televisionado. “Algumas acabaram com recomendações estrondosas da polícia, como estas, enquanto outras não resultaram em nada”, sustentou.

O que dizem os membros do Governo?

O Governo de Benjamin Netanyahu é composto por membros de diferentes forças partidárias: o Likud (partido conservador liderado por Netanyahu), o Shas (religioso ultraortodoxo), Bait Yehudi (partido sionista), o Yisrael Beitenu (partido ultranacionalista) e vários membros de partidos independentes.

O ministro da Educação, Naftali Bennett, membro do Likud, criticou a atuação do primeiro-ministro israelita mas assegura que, por enquanto deve manter-se na liderança do país. “Tudo são inocentes até que seja provado o contrário”, sublinhou.

Também o ministro do Turismo, Yariv Levin, do Likud, saiu em defesa do primeiro-ministro, considerando que estas acusações se tratam de um “movimento desprezível” destinado a “levar a cabo um golpe de governo contra a vontade dos eleitores”.

Já a União Sionista, que lidera a oposição no país exige a demissão de Benjamin Netanyahu. “O estado de Israel precisa de um líder, cujas mãos estejam limpas e que esteja dedicado exclusivamente aos assuntos do país”, afirmou Eyal Ben-Reuven, membro do partido.

Também Ilan Gilon, membro do partido de esquerda Meretz, considera que as alegações lançaram uma “sombra pesada” sobre o primeiro-ministro.

O que se segue?

A decisão de levar Benjamin Netanyahu a enfrentar as acusações que lhe são imputadas vai depender agora da decisão do procurador-geral Avishaï Mandelblit. A decisão pode levar semanas ou meses até ser conhecida.

O ministro da Justiça, Ayelet Shaked, já veio entretanto dizer que, embora tenha sido acusado, o primeiro-ministro não está obrigado a renunciar ao cargo. As próximas eleições estão marcadas para novembro de 2019.

Benjamin Netanyahu, que lidera a frágil coligação que sustenta o Governo israelita, mostra-se contudo confiante de que estas acusações não vão estimular novas eleições. “A coligação é estável. Ninguém, nem eu, nem ninguém, planeia ir a uma eleição”, sublinha.




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