China tem uma arma (de 1,2 biliões de dólares) contra os EUA

Em plena guerra comercial, o facto de o gigante asiático ser detentor de uma grande montante de dívida norte-americana é uma vantagem. Para já, os mercados não parecem muito preocupados, mas caso a China use esta arma, o impacto poderá ser significativo.

Com os Estados Unidos e a China em guerra comercial, economistas e investidores começam a ponderar o impacto de um cenário mais agressivo para a economia global. A troca de retaliações e acusações já resultou numa queixa forma por parte da China contra os EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC). No entanto, o gigante asiático ainda tem outra arma contra o norte-americano.

Se a guerra comercial escalar com mais tarifas alfandegárias, a China poderá retaliar de uma forma ainda mais significativa. O país é detentor de 1,17 biliões de dólares (cerca de 951 mil milhões de euros) em dívida pública dos EUA.

Nos últimos anos, a China comprou uma grande quantidade de Obrigações do Tesouro norte-americano, em parte porque precisa de dólares. No final de 2016, reduziu alguns dos ativos para ajudar a compensar a valorização do yuan, mas já recomprou parte do que vendeu. Se a China decidir vender esses títulos para retaliar contra Donald Trump, poderá abalar os mercados internacionais.

Jeffrey Gundlach, presidente-executivo da DoubleLine Capital LP, explica que a China pode usar estes ativos vantagem, mas apenas se os mantiver. “É mais eficaz como forma de ameaça. Se venderem, não têm nenhuma ameaça”, afirmou, em declarações à agência Reuters. “Apenas aumentaria a situação e eliminaria a vantagem”.

O maior impacto seria sobre as taxas de juros e os preços das Treasuries. Se a China inundar o mercado com títulos do Tesouro dos EUA, os preços cairiam e as yields subiriam. Neste caso, será mais caro para empresas e consumidores norte-americanos pedirem empréstimos e, num caso extremo, poderia levar a uma desaceleração da economia do país.

As yields das Treasuries a 10 anos já tocaram os 2,9% desde que Trump lançou a guerra comercial, acentuando a diferença face aos 2,4% do início do ano. Ainda assim, o intervalo ainda não parece ser motivo para alarme, segundo defendeu o economista-chefe e co-chairman da Gavekal Dragonomics, Anatole Kaletsky, num artigo de opinião.

No entanto, deixou um alerta. “O facto de os investidores em dívida parecerem não estar preocupados com a inflação ou o superaquecimento da economia não significa que o protecionismo e o descontrolo fiscal de Trump sejam inofensivos. Os mercados financeiros às vezes estão catastroficamente errados, como estavam antes da crise financeira de 2007-08”, escreveu.




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