Caso CGD atrasa reunião do Lone Star com Governo

O caso CGD/Centeno está a deixar o principal candidato à compra do Novo Banco sem conseguir reunir-se com as Finanças. A proposta dos americanos inclui convite a fazer a 10 ou 12 empresas.

Os norte-americanos responsáveis pela gestora de fundos de private equity, Lone Star, não têm conseguido reunir-se com o Governo (Ministério das Finanças), apesar de terem solicitado reuniões.

Em causa estarão dificuldades de agenda provocadas pela polémica em torno da CGD em que esteve envolvido esta semana Mário Centeno.
A reunião com o ministro das Finanças é um passo essencial para que a Lone Star possa evoluir na sua proposta de compra ao Novo Banco, já sem a garantia do Estado.

Isto porque a Lone Star tem de saber se o Governo aceita o mecanismo alternativo de partilha de risco, compensado pela partilha de proveitos futuros, que substituiu a garantia do Estado (que Mário Centeno já fez saber que não aceita). Por outro lado, o Ministério das Finanças poderá ter de ir negociar com as entidades europeias uma alteração à lei bancária, para que o Fundo de Resolução possa tornar-se dono de uma pequena parte dos activos do Novo Banco, caso seja essa a solução. Pois pode também ser um novo veículo a criar para entrar no Novo Banco com uma participação minoritária.

O Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedade Financeiras, no artigo 145.º-R, prevê que o banco de transição só deixe de o ser mediante a venda da totalidade das ações e ativos até ao dia 3 de agosto de 2017. Para que a lei permita poder ser o Fundo de Resolução a entidade a ficar com parte dos ativos, a lei terá de ser mudada.

Neste momento a venda do Novo Banco prossegue sem data definida para o fecho do negócio, sendo que a única data que há é o dia 3 de agosto de 2017. Se o banco não tiver todas as ações e ativos vendidos até esse dia avança para liquidação.
A proposta da Lone Star passa por  ficar com o Novo Banco durante aproximadamente uma década.  No plano de desenvolvimento que se propõem implementar, os norte-americanos traçam vários objectivos, entre eles a dispersão em bolsa, a prazo, de parte do capital do Novo Banco, com uma Oferta Pública Inicial e ainda vender todas as operações internacionais, com excepção do banco em Espanha.

Lone Star quer enviar convite a 10 ou 12 empresas nacionais
Para que o banco volte a ser a instituição de crédito das empresas tem de ir recuperar os clientes empresas que já teve e que desde 2014 saíram do banco. Isso explica em parte a carta-convite a empresários e empresas (não financeiras) nacionais. Ao todo cerca de 10 a 12 empresas serão convidadas, soube o Jornal Económico.

A carta que serviu para desafiar “potenciais co-investidores a considerarem participar, juntamente com a Lone Star, no controlo de longo prazo do Novo Banco e, já foi difundida pelos meios de comunicação social. Mas, segundo as nossas fontes, ainda não foi enviada a carta-convite a ninguém, pois só o será depois de terem um acordo assinado. Mas numa lista de 10 a 12 empresas cabem todas as grande empresas e algumas pequenas e médias empresas. Os jornais avançaram com os nomes de Amorim, a Sonae, a Jerónimo Martins e do grupo Violas Ferreira. Mas haverá também intenção de enviar a outras como a EDP, a REN, entre outras.

Tiago Violas já admitiu à imprensa, incluindo ao Jornal Económico, que não está disponível para entrar no Novo Banco com o Lone Star, uma vez que está comprometido com a Apollo/Centerbridge.
A Lone Star tem intenção de partilhar os benefícios resultantes da recapitalização e da reestruturação previstas. A ideia do fundo norte-americano é garantir que o Novo Banco consegue mais de 6.000 milhões de novos créditos por ano a clientes portugueses, incluind 4.000 milhões a empresas e PME”.

Falta informação sobre colaterais dos créditos
Uma das dificuldades com que se deparam os interessados em comprar o Novo Banco é que falta informação que permita avaliar os colaterais que foram dados a empréstimos que estão em incumprimento. No pacote de ativos problemáticos que estão aglutinados numa divisão do Novo Banco denominada de side-bank (que somam mais de 9 mil milhões de euros), e para além dos créditos do ex-BESA e de créditos de entidades venezuelas (dados como perdidos), há ainda créditos a empresas e empresários portugueses ligados ao sector imobiliário. Ora estes créditos estão garantidos, muitas vezes, pelos próprios imóveis e alguns deles estão em construção,  e que desde a Resolução do BES, em 2014, se degradaram muito. Falta informação sobre esses imóveis que estão, segundo as nossas fontes, com avaliações desatualizadas. Este é um dos motivos da demora da due-dilligence que o consórcio liderado pela Apollo está a levar a cabo no Novo Banco. A operação de venda tem como advisers financeiros o Deutsche Bank e o JP Morgan.

Estes ativos problemáticos põem em causa o valor da situação líquida do Novo Banco que ronda os 6 mil milhões de euros.

(actualizada com o valor correto da situação líquida)

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