Cápsula do tempo: Cinco anos sem Bernardo Sassetti

Um dos mais estruturados músicos portugueses deixou-nos faz hoje precisamente cinco anos.

A música estava à sua volta desde sempre – a família está cheia de nomes enormes da música portuguesa, desde logo Luís de Freitas Branco – e era por ela, com ela, que vogava em enorme liberdade por entre as cinco linhas muito unidas das pautas de música. Com formação clássica mas uma adesão aparentemente fácil ao Jazz, Bernardo Sassetti era um dos melhores. Fazia de conta que não: quase acanhado, metido consigo, nas suas coisas, o mundo em volta parecia que lhe ficava na pele e não entrava. Ou entrava de outra maneira, sabe-se lá qual e saia em forma de música.

Os portugueses tiveram o enorme privilégio de o poder ver a atuar com Mário Laginha ou Pedro Burmester naquilo que eram concertos de alegria em estado puro. A carreira de Bernardo Sassetti era profundamente internacional, profundamente complexa, profundamente erudita. E tão simples como a música pode ser.

Nasceu em Lisboa a 24 de junho de 1970 e iniciou os estudos de piano clássico aos nove anos – não foi particularmente precoce – e rapidamente partiu para onde estava a música: clubes, cafés-concerto, salas pequenas cheias de fumo onde não se faz outra coisa senão apreciar o que a música tem de mais precioso: a sua fecundidade.

Depois, um dia, inesperadamente, voou com os pássaros.