O adeus definitivo dos britânicos à União Europeia (ou não será?) começa hoje, num quadro de enormes dúvidas.

Reuters

É como produzir um motor sem um sistema que o permita desligar: as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia começam hoje sem que haja uma agenda fechada que permita a quem toma parte das negociações saber ao que vai. E com o que vai.

Aliás, essa parece ser a única certeza: a de não haver qualquer certeza sobre o que se vai passar. Algumas fontes adiantam que os britânicos vão ser chamados a pagar uma indeminização (que não será por certo uma indeminização no verdadeiro sentido da palavra) da ordem dos 100 mil milhões de euros para ressarcir a União Europeia de eventuais perdas. O que as notícias não esclarecem é quais foram os critérios que estiveram por trás do número avançado. Como também não explicam qual seria a resposta do Reino Unido.

Outros observadores avançam outro caminho: os britânicos vão acabar por ir-se embora sem um acordo definitivo – isto é, sem ganhos nem perdas para nenhum dos lados. Simplesmente, vão-se embora.

No meio de tanta incerteza, há algo que parece certo: a primeira-ministra Theresa May falhou em toda a linha na estratégia de se apresentar hoje à União Europeia investida de novas forças e acantonada na vontade maioritária dos britânicos. As eleições de há duas semanas dificilmente lhe podiam ter corrido pior – só se perdesse, mas aí já não teria de se preocupar mais com o Brexit – e, ao invés de se apresentar em Bruxelas com uma força política renovada, surge como alguém que acaba de ser esmigalhado pela realidade nua e crua, bem diversa das estratégias pré-determinadas.

Seja como for, importa ter em atenção que uma série de personalidades políticas europeias – o presidente francês, Emmanuel Macron foi o último – gastou algum tempo nas duas últimas semanas a deixar uma espécie de frincha na porta que a União Europeia quer fechar aos britânicos, como se o regresso fosse sempre uma opção. Em teoria, isso é sempre uma opção – mas não será com certeza para já.

O que os analistas e comentadores também dizem é que este pode ser o último ato político de Theresa May: se a negociação do Brexit correr mal para o lado dos britânicos, pouco mais restará à primeira-ministra convocar novas eleições antecipadas e deixar o seu lugar de dirigente partidária dos Conservadores para outro. Mas isso também não é para já.



Mais notícias