BNP Paribas: o banco que está a criar emprego

Enquanto a concorrência emagrece, por via de despedimentos e rescisões, o banco francês aumenta o número de efetivos. Só nos últimos seis admitiu cerca de 500 pessoas.

Exponencial, mas discreto. Assim tem sido nos último tempo o crescimento do BNP Paribas enquanto empregador em Portugal. O grupo soma hoje 4300 efetivos. Amanhã já poderão ser mais, tal é a velocidade com que o emprego está a ser criado. Só este ano, entre janeiro e junho, foram admitidas cerca de 500 pessoas. Em 2016, números redondos, tinham sido 1200.

Renato, um jovem com Síndrome de Asperger, é um dos 500 admitidos já este ano. Chegou à Torre Ocidental do Colombo, onde se localiza a sede da instituição em Portugal, através do CADIn, um projeto de integração e inclusão de pessoas com necessidades especiais no mercado de trabalho. Um desafio proposto a Maria João Gouveia, responsável pelo departamento de Recursos Humanos e à sua equipa, por Andreia Craveiro, responsável da CADin, e desenvolvido pelas duas parceiras ao longo de várias fases.

“Começámos por tentar perceber como podíamos adaptar um determinado posto de trabalho às caraterísticas e perfil que estávamos a tentar integrar. Integrar mesmo, pois é disso que se trata” – explica Maria João Gouveia ao Jornal Económico.

A decisão recaiu na inclusão de Renato numa das equipas existentes no próprio departamento de Recursos Humanos. Com cerca de 90 pessoas, os RH do BNP Paribas são um pequeno mundo, sem mãos a medir. Por ele passam todos os novos processos.

Embora presente em Portugal desde 1985, de forma consistente e sólida, a explosão verificou-se nos últimos anos, sobretudo depois de 2008, isto é, nos anos que se seguiram à crise financeira. Além das condições naturais do país, Maria João Gouveia elogia a boa preparação dos jovens portugueses que saem das universidades, a qualidade e o elevado potencial do seu talento, com destaque para o domínio de línguas estrangeiras. “No geral, temos pessoas muito boas e bem preparadas”, vinca.

No BNP Paribas, um banco de matriz francesa, o francês é, naturalmente, um “plus”. No entanto, na Torre Ocidental do Colombo, o idioma oficial, aquele em que todos comunicam, é o inglês. Trabalham no grupo pessoas de 44 nacionalidades diferentes, numa diversidade de perfis. O banco é procurado por portugueses, mas também por estrangeiros que estão a viver no nosso país, entre os quais jovens que cá chegaram ao abrigo do programa universitário Erasmus. “Olhamos para todas as candidaturas, para todos os curriculuns com igual interesse”, sublinha a responsável de RH.

O sítio do banco na internet é o ponto de partida para muitos jovens, as universidades são outro. Além de protocolos e relações muito próximas com todas as escolas de Economia e Gestão, a instituição tem parcerias com outros estabelecimentos de ensino superior, sobretudo da área das Ciências e da Engenharia.

As condições oferecidas pelo BNP Paribas são boas, a começar, pelo vínculo. São empregos, não contratações em regime de outsourcing, esclarece Maria João Gouveia: “São contratos diretos para as diversas instituições do grupo em Portugal. Na sua grande, grande, maioria são contratos permanentes.”

A idade média é 31 anos. Renato contribui para a média. Com um curso técnico na área gráfica, equivalente ao 12.º ano de escolaridade e um estágio profissional numa empresa onde não ficou por falta de capacidade financeira da mesma, encontrou o seu lugar nesta torre com vista sob a cidade de Lisboa. “O trabalho de precisão, rotineiro que o Renato faz adequa-se a pessoas que gostam de saber com o que podem contar”, explica Fábio, o jovem licenciado do ISCSP, que também encontrou o seu lugar no departamento de RH do BNP Paribas. Foi constituído mentor do Renato nesta missão de o integrar. Explica-nos que o processo teve o efeito “bola de neve”, levando a que outras pessoas da equipa tivessem também de desenvolver outras competências. Foi uma integração nos dois sentidos”.
Andreia Craveiro, do CADin, explica que todo o ser humano tem competências que são necessárias ao mercado de trabalho. O segredo está em saber aproveitá-las. Isso foi o que Maria João Gouveia fez: – “desenhou uma função adequada ao Renato e às suas características”. Não vai ficar por aqui.

Artigo publicado na edição digital do Jornal Económico. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão.



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