BCP vai antecipar reposição dos salários para julho

Os colaboradores no BCP vão voltar a ver os seus salários repostos, depois do banco ter recorrido à ajuda estatal, para cumprir rácios de capital, através da emissão de obrigações de capital contingente (mais conhecidos como CoCos). A garantia foi dada pelo presidente do BCP, Nuno Amado.

Cristina Bernardo

Nuno Amado revelou na conferência de imprensa que a reposição dos salários para valores antes da ajuda do Estado em 2012, que estava previsto para acontecer em janeiro de 2018, vai ser antecipado, por acordo com os sindicatos. Isto depois de o banco ter pago todo o empréstimo do Estado.

Os colaboradores no BCP vão assim voltar a ver os seus salários repostos, depois do banco ter recorrido à ajuda estatal, para cumprir rácios de capital, através da emissão de obrigações de capital contingente (mais conhecidos como CoCos). A garantia foi dada pelo presidente do BCP, Nuno Amado.

Desde 2014, os trabalhadores com remunerações mensais superiores a 1.000 euros passaram a contar com cortes entre 3% e 11%. Esta era uma medida temporária e ficou acordado que manter-se-ia em vigor até à devolução da totalidade dos CoCos. Depois do pagamento, na totalidade, da ajuda estatal, o banco passou a ter condições para a devolução dos mesmos.

“Apesar de estar previsto para 2018, ficou acordado com os sindicatos anteciparmos a reposição dos salários para julho de 2017”, referiu Nuno Amado, presidente do BCP, na apresentação de resultados do primeiro trimestre.

Sobre Novo Banco 

Sobre o Novo Banco “espero que não haja efeitos negativos no BCP com a venda do Novo Banco ao Lone Star, e que os incentivos sejam os certos e os equilibrados, que sejam os favoráveis para estabilidade do sistema, mas também favoráveis para uma sã concorrência”, disse.

Respondia à questão de eventuais reforços de imparidades que possam surgir nos créditos em comum com o Novo Banco, mas referia-se a perdas que ainda possam vir a ser assumidas pelo Fundo de Resolução.

Segundo acrescentou o presidente do BCP os “instrumentos contratuais” da operação de venda, referindo-se ao mecanismo de capitalização contingente, a que chamou “uma espécie de garantia”, “devem ser muito bem ponderados”. O acordo deve deixar as responsabilidades bem delimitadas,  os incentivos devem ser feitos de forma a  haver uma concorrência entre os bancos”, disse o CEO do BCP. “Os incentivos não podem passar por um banco a subsidiar o concorrente”, conclui.

“Achamos que é possível, dentro do espírito do acordo, melhorar estes aspectos, mas não conhecemos os detalhes, o que dizemos é que é sempre possível melhorar, assim haja boa-vontade das partes”, disse Nuno Amado.

Nuno Amado falou ainda do veículo sobre o crédito malparado. O BCP está disponível para analisar uma evolução da solução de veículo de malparado assim que sejam conhecidos mais detalhes. A garantia foi deixada por Nuno Amado, presidente do BCP, na apresentação de resultados do primeiro trimestre do banco.

“Nós não temos informação adicional. Quando a tivermos analisaremos de boa fé e veremos a possibilidade de aderir. Entretanto fazemos aquilo que temos de fazer,  nomeadamente, reduzir o valor dos NPE”.

Para o presidente do BCP, qualquer solução que esteja a ser pensada deve ter “atenção à forma como cada instituição funciona, não deve ser destrutiva de capital”. Além disso, essa solução deve ter atenção a um “conjunto de alteração de regras para fazer com que os processos de recuperação sejam mais rápidos e eficientes”.

Nuno Amado reforçou que “essas condições prévias têm de ser garantidas. Tem de ser um processo voluntário. Deve ter regras para que possamos concorrer na Europa com as mesmas regras. Portanto veremos a ser tempo”, concluiu.

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