Bastonário: “Arrastamento do processo Marquês está a denegrir a imagem da Justiça em Portugal”

A escassos dias do prazo final para a conclusão do inquérito à 'Operação Marquês' e tendo em conta a chegada de novos dados e novos interrogatórios, têm aumentado as dúvidas quanto à dedução ou arquivamento do processo.

Cristina Bernardo

O antigo primeiro-ministro José Sócrates vai ser interrogado, pela terceira vez, esta segunda-feira, no âmbito da ‘Operação Marquês’, em que está indiciado por corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. O prazo para os procuradores do Ministério Público (MP) concluirem a acusação a José Sócrates termina esta sexta-feira mas, segundo avança o jornal i, a acusação não estará pronta antes de abril.

De acordo com o jornal, o prazo estipulado pela Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, para ultimar a acusação era até ao final desta semana, dia 17 de março. Contudo, os investigadores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) vão precisar de mais tempo para conseguirem analisar devidamente a informação recolhida e proceder à maratona de interrogatórios, o que pode levar a um novo arrastamento no processo.

Os procuradores querem confrontar os arguidos com supostos novos dados obtidos em buscas feita durante o verão passado à Portugal Telecom (PT) e a vários administradores. Os documentos fazem referência a todas as pessoas que terão recebido luvas dos negócios da PT num total de 96 milhões de euros. Além de José Sócrates, também o antigo presidente do Grupo Espírito Santo (GES), Ricardo Salgado, que terá ordenado ao pagamento das luvas para o empresário Carlos Santos Silva, apontado como o testa de ferro do antigo líder socialista.

O Bastonário da Ordem dos Advogados, Guilherme Figueiredo, em entrevista à Antena 1, dá conta de que o arrastamento do processo Marquês está a denegrir a imagem da Justiça em Portugal.

“A morosidade que possa acontecer num processo desta natureza não é bom para a credibilização do sistema e credibilização da própria justiça, seja qual for o resultado”, afirma, saindo a favor de José Sócrates ao dizer que não faz sentido deter alguém durante meses sem uma acusação.

A Procuradora-Geral da República já havia rejeitado qualquer possibilidade de prolongamento, mas a escassos dias de terminar o prazo e dada a tentativa de Henrique Granadeiro, antigo gestor da PT ter tentado travar o acesso do Ministério Público a uma conta na Suíça, para onde terão sido desviados 24 milhões de euros vindos do GES.

Na ‘Operação Marquês’, cujo principal arguido é José Sócrates, estão ainda referenciados 25 arguidos – 19 pessoas e seis empresas, quatro das quais pertencentes ao Grupo Lena.

A vasta lista de arguidos inclui nomes como Armando Vara, ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos, Carlos Santos Silva, empresário e amigo do ex-primeiro-ministro, Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, João Perna, antigo motorista de Sócrates, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, ex-administradores da PT, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e os empresários Diogo Gaspar Ferreira e Rui Mão de Ferro e o empresário luso-angolano Hélder Bataglia.





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