Banco de Inglaterra alerta para riscos na regulação bancária após o Brexit

O vice-governador Banco de Inglaterra, Sam Woods, afirma que a Autoridade de Regulação Prudencial pode pressionar os recursos regulatórios dos bancos e seguradoras.

Alessia Pierdomenico/Reuters

O Banco de Inglaterra alertou para a possibilidade de a saída do Reino Unido da União Europeia colocar pressão sobre os recursos regulatórios dos bancos e seguradoras que supervisiona, dificultando a tarefa de regulamentação do setor.

A preocupação da entidade britânica é vista pelo Financial Times como o “aviso mais notável até o momento sobre os riscos que o sistema financeiro enfrenta” caso o Brexit avance, em março de 2019.

Numa carta divulgada esta quarta-feira, o vice-governador Banco de Inglaterra, Sam Woods, enfatiza que o braço regulamentar do supervisor, a Autoridade de Regulação Prudencial, assiste a um “risco material nos seus objetivos” enquanto lida com um tema que requer pinças e ainda custa a digerir por parte do bloco europeu: a saída do Reino Unido da União Europeia.

“Um período de implementação de algum modo é desejável, para dar às empresas do Reino Unido e europeias mais tempo para fazer as mudanças necessárias e se adaptarem às novas relações do Reino Unido com a União Europeia de forma organizada”, explicou Sam Woods na missiva.

De acordo com o responsável pelo Banco de Inglaterra, uma auditoria aos planos de contingência dos bancos e das seguradoras revelou os receios dos custos acrescidos e a complexidade que acresce para empresas e supervisores, caso as firmas não se adaptem ao novo sistema antes de perder a identidade europeia.

Os planos em causa envolvem a passagem de negócios e sedes do Reino Unido para outros países. Nessa ótica, a Autoridade de Regulação Prudencial e o Comité de Política Financeira vão começar a avaliar se a execução coletiva dessas contingências pode efetivamente representar riscos para a estabilidade financeira.





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