InícioNotícia escrita porVera Gouveia Barros, Economista

Qual é o peso de Lisboa no alojamento local? 19%!, diz-me o Registo Nacional de Turismo; 42% dele fica no Algarve, que não é certamente a região de residência dos proprietários.

Nos últimos dois anos, os Açores foram a região portuguesa onde o turismo mais aumentou. Claro que ser o campeão do crescimento é mais fácil quando se tem a menor quota de mercado.

O aeroporto de Beja, um investimento no valor de 33 milhões de euros, ia ser “um dos mais fortes contributos para lançar o futuro turístico do Alentejo”. Não foi.

Era importante que o turismo fosse capaz de contribuir para a redução das assimetrias regionais, em vez de mimetizar a distribuição das outras actividades económicas.

O Novo Regime do Arrendamento Urbano ofereceu-me o exemplo perfeito para explicar esta coisa de tomar decisões cujos custos e benefícios dependem do comportamento de outrem.

Se na década de 40 se responsabilizavam as duas guerras mundiais pela falta de casas, em 2017 é o turismo que frequentemente aparece identificado como o culpado.

O facto de termos chegado mais tarde ao fenómeno do turismo internacional permite-nos aprender com os erros alheios, escapando-lhes. Evitar os erros, não o turismo.

Associar turismo à miséria da classe trabalhadora parece-me, pois, estranho. Se se estiver a falar do turismo de massas, mais absurdo é.