InícioNotícia escrita porVera Gouveia Barros, Economista

Mais necessário que um troféu numa gala é criar as condições para que o turismo em Portugal continue a ser um caso de sucesso num contexto de permanente mudança.

Acho engraçado que os mesmos partidos que viraram o seu discurso para os problemas da habitação venham agora dar-se a hipótese de ocupar gratuitamente os imóveis do Estado (incluindo os das autarquias locais, das entidades do sector público empresarial e das entidades da economia social) e nem vejam nisso uma forma de receita.

“Entroikado” foi a palavra de 2012. Não é um campo semântico a que queiramos voltar. Portanto, que “turismofobia” não esteja nas candidatas a Palavra do Ano de 2018.

A propósito das restrições que se querem colocar ao alojamento local, o exemplo alheio pode ser bastante útil, mas apenas se conseguirmos discernir entre o que é análogo e o que não o é.

Qual é o peso de Lisboa no alojamento local? 19%!, diz-me o Registo Nacional de Turismo; 42% dele fica no Algarve, que não é certamente a região de residência dos proprietários.

Nos últimos dois anos, os Açores foram a região portuguesa onde o turismo mais aumentou. Claro que ser o campeão do crescimento é mais fácil quando se tem a menor quota de mercado.

O aeroporto de Beja, um investimento no valor de 33 milhões de euros, ia ser “um dos mais fortes contributos para lançar o futuro turístico do Alentejo”. Não foi.

Era importante que o turismo fosse capaz de contribuir para a redução das assimetrias regionais, em vez de mimetizar a distribuição das outras actividades económicas.