Arábia Saudita alerta Trump para perigo de reduzir as importações de petróleo

Esta é uma das dificuldades que o novo presidente enfrenta pelo seu compromisso na campanha de que os EUA tenham independência energética plena dos inimigos e dos cartéis do petróleo

Mike Segar/Reuters

A Arábia Saudita alertou Donald Trump para os riscos que podem surgir para a economia americana com o bloqueio das importações de petróleo, uma promessa do republicano na sua campanha.

Khalid al-Falih, Ministro da Energia da Arábia Saudita e presidente da companhia estatal de petróleo Aramco, recordou Trump que os EUA “beneficiam mais do que qualquer um do livre comércio mundial e que, a energia é a força matriz da economia global”, segundo o jornal “Expansión”.

Esta é uma das dificuldades que o novo presidente enfrenta pelo seu compromisso na campanha de que os EUA tenham independência energética plena dos inimigos e dos cartéis do petróleo.

“No fundo Trump acabará por ver os benefícios, e acredito que a indústria do petróleo também lhe dirá que bloquear o comércio de qualquer produto não é bom”, declarou o ministro em Marraquexe , onde chefia a delegação do seu país nas negociações da ONU sobre as alterações climáticas.

Falih assinalou que, ainda que os EUA importem milhões de barris de petróleo, também “beneficiam muito com o poderem vender livremente grandes quantidades de produtos exportados. O comércio livre tem apoiado a indústria de refinação e a revolução dos hidrocarbonetos não convencionais, que criou numerosos postos de trabalho e valor. O novo governo deve ter tempo para digerir todos os assuntos, incluindo o acordo sobre o clima de Paris, que Trump prometeu quebrar”.

A Arábia Saudita pertence a um grupo de países que insistem que o resultado das eleições nos EUA não afetará os planos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa acordadas em Paris.

O ministro alertou ainda para o facto de Trump ter feito algumas declarações positivas sobre a importância dos combustíveis fósseis.

“Precisamos de enfrentar a mudança climática, mas não à custa de manter as pessoas em situação de pobreza e interromper o seu desenvolvimento económico. Ainda que o consumo global de combustíveis fósseis diminua ao longo do tempo, até se melhorar as energias renováveis, o petróleo e o gás natural continuarão a fornecer uma parte significativa da energia durante anos”.

 



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